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30/10/2008

Os ingleses discutem a pinta que pode "pôr fim a 300 anos de história"

Le Monde
Virginie Malingre
Em Londres
Nos últimos dias, os britânicos estão sendo chamados a se pronunciarem a respeito de uma questão que manifestamente é causa de polêmica: a introdução de uma nova medida de capacidade para a cerveja, correspondente a dois terços de pinta. Eles têm até o dia 1º de janeiro de 2009 para darem a sua opinião para o Laboratório Nacional dos Pesos e Medidas (National Weights and Measures Laboratory, NWML), o organismo público que administra o sistema de medidas do Reino Unido, herdado do império britânico.

A sacrossanta pinta - que na Grã-Bretanha é de 0,568 litro - foi legalizada em 1698. Um editorial do jornal "Daily Telegraph" afirma que essa nova medida equivalente a dois terços de pinta que o NWML pretende introduzir decretaria "o fim de 300 anos de história". Sem mais, nem menos. "Seria a primeira vez desde que Guilherme III de Inglaterra, príncipe de Orange, ocupava o trono (1650-1702) que os consumidores poderiam beber uma dose tão incomum", escreve o diário em sua edição de 23 de outubro. Este fato é inegável uma vez que atualmente esta quantidade não está autorizada oficialmente, e que seria preciso votar uma lei para conferir-lhe este status. Contudo, a afirmação é exagerada na medida em que o legislador britânico já se mostrou muito liberal no decorrer do século 20, quando autorizou a meia-pinta e o terço de pinta.

Foram os pubs que pediram ao NWML para criar esta nova medida de capacidade imperial, que poderia ajudá-los no momento em que eles vêm amargando, impotentes, uma diminuição da sua clientela - uma tendência que também resulta numa redução do consumo. A cada dia que passa, cinco desses estabelecimentos se vêem obrigados em encerrarem sua atividade, enquanto os britânicos, que se mostram mais e mais sedentários e caseiros, preferem comprar sua cerveja em supermercados para tomá-la em casa.

"Não há dúvida alguma de que os pubs estão enfrentando dificuldades consideráveis, e, diante disso, todo e qualquer detalhe pode contribuir para ajudá-los", avalia a British Beer and Pub Association (BBPA - Associação das fábricas de cerveja e dos pubs britânicos). Esta entidade diz representar 98% dos produtores de cerveja fermentada e mais da metade dos 58 mil estabelecimentos britânicos que servem bebidas alcoolizadas. A BBPA acredita, principalmente, que as mulheres poderiam se deixar seduzir por consumirem uma caneca de cerveja com capacidade de dois terços de pinta, enquanto a clientela tradicional dos pubs é muito masculina.

Mas, este argumento deixa preocupadas as associações que lutam contra o alcoolismo. E motiva a sua oposição ao projeto do NWML. Nesse sentido, uma delas, a Alcohol Concern ("Preocupação com o álcool"), considera que "isso poderia fazer com que sejam comercializadas cervejas para mulheres. Nós já vimos alguns fabricantes de cerveja tentando encontrar alternativas para um mercado exclusivamente masculino".

Na outra extremidade deste leque de opiniões, a associação Campaign for Real Ale (Camra - Campanha em defesa da verdadeira cerveja inglesa) acaba de dar entrada, junto ao governo, a uma petição que recebeu mais de 20 mil assinaturas, pedindo que as pintas de cerveja sejam servidas até a borda. "Em uma pinta em cada quatro, faltam 5% de cerveja", denuncia o organismo. Ou seja, um crime de lesa-majestade. Jean-Yves de Neufville

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