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04/11/2008

Por que torcer por Obama

Le Monde
Editorial do Le Monde
O presidente que os americanos devem eleger nesta terça-feira, 4 de novembro, herdará um desastre. Oito anos de administração Bush deixaram o país num estado catastrófico. No plano externo, a América nunca esteve tão detestada, a um ponto jamais visto em toda a história: atolada em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, que não parecem ter fim, ela carece de todo crédito moral e político. No plano interno, os Estados Unidos estão pagando muito caro pelas destruições provocadas pelo liberalismo financeiro, uma derrocada que alcançou seu ápice com a presidência de George W. Bush, e que resultou numa crise econômica de grande dimensão. Além disso, enquanto o Estado de bem-estar social regrediu, o Estado policial, por sua vez, progrediu: em nome da luta contra o terrorismo, as liberdades públicas registraram uma decadência sem precedente.

Não existe homem providencial algum que possa consertar uma situação tão deteriorada no espaço de quatro anos. Mas, para dar início a um processo de recuperação, o democrata Barack Obama nos parece estar numa posição muito mais favorável do que a do republicano John McCain. Várias razões motivam esta escolha. A primeira diz respeito à disposição de espírito do país: a chegada de um mestiço de 47 anos à Casa Branca representaria um sinal de confiança da América em si mesma e nos mais elevados dentre os seus valores, uma afirmação de fé em sua capacidade de superar o drama que mais marcou o seu passado - o racismo e a escravidão. Por si só, essa mudança já seria excepcional, e passaria a ser considerada como um exemplo, muito além das fronteiras dos Estados Unidos.

Contudo, outras razões conduzem a dar preferência ao candidato democrata. No plano interno, Barack Obama defende o programa que desponta como o mais adaptado à crise da economia americana. Este programa propõe um renascimento do papel regulador do Estado, além de uma política fiscal adequada para combater as desigualdades que vêm emperrando cada vez mais a sociedade; ele é motivado pelo desejo de dotar os americanos de uma cobertura médica digna da riqueza do país; e, sobretudo, reflete uma consciência ambiental, no que ele bate de frente com as concepções defendidas pela equipe Bush, que se recusava a todo questionamento do modelo liberal de consumo.

No plano externo, um presidente democrata não terá condições de aprontar milagre algum. Mas, um homem como Barack Hussein Obama, valendo-se apenas da sua personalidade, estaria muito mais em sintonia com um mundo do qual o Ocidente deixou de ser o centro econômico e político - um mundo mais mestiçado.

No campo do adversário, John McCain, um homem experiente que por muito tempo havia preconizado idéias centristas, não parou de fazer concessões ao ideário da direita. Ele acabou defendendo tudo aquilo que o Partido republicano comporta de mais extremista. Ele não consegue imaginar a vitória, a não ser dividindo os americanos. Ele representa a continuidade, enquanto Barack Obama, menos experiente, encarna a esperança. Jean-Yves de Neufville

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