UOL Notícias Internacional
 

14/11/2008

Os "coffee-shops" da Holanda correm risco de fechar

Le Monde
Jean-Pierre Stroobants
Enviado especial a Roosendaal (Holanda)
Uma placa com as cores da Jamaica e na vitrine o desenho de um fumante de grossos "baseados". Fim de manhã tranqüilo no Liberty II, um dos "coffee-shops" [cafés onde é autorizada a venda limitada e o consumo de maconha] de Roosendaal, no sul dos Países Baixos. Ambiente de "saloon", café sem sabor e cheiro de erva: um dia banal para os consumidores holandeses e estrangeiros (franceses, belgas, alemães) que vêm se abastecer nesses locais, símbolo da famosa "tolerância" holandesa.

A maioria dos consumidores do Liberty II ignora o debate político que divide o país, onde o principal partido do governo, CDA (Apelo Democrata Cristão), do primeiro-ministro Jan Peter Balkenende, defende o fim dos "coffee-shops" e denuncia uma política que, segundo ele, fracassou. Magistrados, policiais e criminologistas são da mesma opinião. O PvdA (Partido Trabalhista), também no poder, e prefeitos defendem outra forma de "regulamentação".

Oficialmente, as regras impostas aos cafés são claras, e o velho marroquino do Liberty II que, atrás de um vidro, pesa e distribui seus saquinhos, recita: 5 gramas no máximo por cliente, proibido vender para menores, nada de droga pesada. Não tente saber de onde vem a maconha que é vendida. "Damos um jeito", responde invariavelmente o empregado.

A lei autoriza a venda e o consumo de drogas suaves, mas proíbe a produção e a distribuição. Essa aberração provocou o surgimento de grupos criminosos, muitas vezes estrangeiros, que tentam penetrar, com pressões e ameaças, no abastecimento dos 800 "coffee-shops" do país. A época dos pequenos produtores que plantavam maconha em seus jardins terminou, e uma máfia marroquina se especializou no roubo de colheitas clandestinas. Em disputa, um mercado anual de 2 bilhões de euros.

Guardas na entrada
Um dos objetivos das autoridades que legalizaram as drogas suaves há cerca de 30 anos foi evitar o avanço da criminalidade. Fracasso? A polícia das províncias do sul do país afirma que nos últimos cinco anos registrou pelo menos 25 assassinatos relacionados à venda de tóxicos. Vimos aparecer guardas na entrada dos "coffee-shops", como no Liberty 2, onde um jovem adepto da musculação, careca e vestido de preto, controla bolsas e carteiras de identidade.

Os eleitos recebem inúmeras queixas: as dos países vizinhos, que criticam a posição única dos holandeses; as dos vizinhos dos "coffee-shops", que se queixam dos incômodos ligados ao fluxo incessante de consumidores. É verdade que os números fazem virar a cabeça: 13.500 compradores por semana em Roosendaal, 4 mil por dia em Maastricht, 1 milhão por ano em Terneuzen, duas cidades próximas.

Cita-se a venda cotidiana de três a quatro quilos nos principais estabelecimentos do país, com lucros que chegam a 400 mil euros mensais. Salientam a multiplicação das apreensões de drogas pesadas, encaminhadas por redes que aproveitam a presença de centenas de milhares de clientes potenciais. Quanto às "smart shops", pequenos comércios nas proximidades, agora organizam sua própria rede clandestina de revenda.

Há alguns meses, preocupados com a evolução da criminalidade, os municípios ordenaram os primeiros fechamentos de "coffee-shops". Em Roosendaal, em Bergen-op-Zoom, em Maastricht, eles endureceram a regulamentação, multiplicaram os controles ou ficharam os clientes. A maioria dos exploradores salienta o perigo de um desvio dos consumidores para mercados clandestinos. Gerd Leers, prefeito democrata-cristão de Maastricht, diz temer a influência das máfias, que iniciarão os compradores em drogas pesadas, e denuncia a "hipocrisia" dos países vizinhos, que proíbem a droga mas toleram que seus consumidores se abasteçam nos Países Baixos.

Johan de Wijkerslooth, jurista na Universidade de Leiden, propõe fechar os "coffee-shops" em troca de uma verdadeira legalização da maconha para uso pessoal. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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