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15/11/2008

"Precisamos de um esforço mundial para sustentar a economia", diz presidente da Comissão Européia

Le Monde
Philippe Ricard
Em Bruxelas (Bélgica)
Le Monde - As principais economias do planeta entram em recessão. A cúpula do G20 em Washington não poderá ignorar esse fato.

José Manuel Durão Barroso -
É a primeira crise do mundo globalizado, precisamos de um esforço mundial para sustentar a economia. Quando a recessão atinge o mundo desenvolvido, afeta as economias em desenvolvimento. Mesmo os países menos expostos à contaminação financeira vão sofrer a deterioração do comércio e da confiança. Vejam o Brasil, que sente os efeitos da crise vinda do coração do mundo desenvolvido, os EUA e a Europa. Devemos pedir aos países emergentes que mantenham a atividade, como acaba de decidir a China.

LM - O que a Europa pode fazer para limitar a recessão?

Barroso -
É impensável ter sido capazes de ter uma abordagem coordenada para combater a crise financeira sem ser capazes de lutar agora de maneira coordenada contra a crise econômica. Devemos implementar uma "caixa de ferramentas", como diz Merkel. Devemos utilizar ao máximo a flexibilidade oferecida pelo pacto de estabilidade e de crescimento. No nível da União Européia, propomos acelerar a distribuição de fundos destinados às regiões menos favorecidas e aumentar o capital do Banco Europeu de Investimento. Os meios de ação mais importantes estão, entretanto, nas mãos dos países membros.

LM - Eles os utilizam o suficiente? A Alemanha parece se opor a qualquer programa conjuntural maciço.

Barroso -
Os países que têm margens de manobra devem utilizá-las. Se a demanda se contrai em algum lugar da Europa, reforça os riscos de recessão em outros lugares. Além das discussões semânticas sobre "governança econômica", o conselho de 7 de novembro entrou em acordo sobre uma coordenação mais importante dos 27. Esse esforço faz ainda mais sentido na zona do euro.

LM - Que resultados concretos se podem esperar do G20 em termos de refundação do sistema financeiro?

Barroso -
Não podemos esperar soluções milagrosas. É o início de um processo e já é um avanço histórico. Eu espero um acordo sobre as modalidades de trabalho e sua substância. Nenhuma instituição financeira deve ficar afastada da regulamentação ou da supervisão. A transparência, a supervisão transfronteiras, a reforma das instituições financeiras internacionais, como o reforço do papel do FMI, devem estar no coração de um eventual acordo. Há alguns meses esses compromissos teriam sido inatingíveis. Os EUA se opunham.

LM - Como vai ser com Barack Obama?

Barroso -
Espero que o presidente-eleito dê um impulso no processo. Obama fez em sua campanha declarações fortes a favor do multilateralismo e das responsabilidades americanas no mundo. Esperemos que ele utilize esse estado de espírito para promover os objetivos que compartilhamos sobre finanças, mudança climática, direitos humanos, comércio. A Europa deu prova de liderança nesta crise, nós contribuímos para estabilizar o sistema financeiro. Mas é mesquinho acreditar que seremos fortes porque os americanos se enfraqueceram. Nós compartilhamos os mesmos valores a favor de sociedades abertas em uma economia aberta. Sem convergência, não resolveremos os problemas.

LM - A comissão foi acusada de não ter sido ativa o suficiente para enfrentar a crise?

Barroso -
A crise começou em agosto de 2007. Os países membros entraram em acordo naquele momento sobre um mapa do caminho. A comissão fez o que ela deveria fazer desde então. Mas antes da crise a maioria dos países membros se opunha à menor regulamentação. Devemos ainda enfrentar diversas resistências, por exemplo, em termos de supervisão dos estabelecimentos financeiros. Acabamos de propor regulamentar as agências de avaliação: no início, muitos países membros disseram não. Agora as pessoas estão mais abertas. Vamos aproveitar! Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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