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17/11/2008

Encontro histórico entre Taiwan e a China Popular

Le Monde
Bruno Philip
Em Pequim
Um aperto de mãos, uma troca de presentes, e cinco minutos que ficarão na história: o encontro, na quinta-feira, 6 de novembro, em Taipé, entre o presidente taiwanês Ma Ying-jeou e Chen Yunlin, um dirigente chinês do departamento das relações entre a República Popular e a ilha "rebelde", foi o primeiro do gênero a acontecer desde 1949. Naquele ano, as tropas derrotadas de Chang Kai-check (1887-1975) haviam encontrado refúgio na ilha antes que Mao Tsé-tung (1893-1976) proclamasse em Pequim a implantação do Estado da China comunista.

Fazendo referência aos acordos econômicos que haviam sido assinados na véspera com a China, o presidente taiwanês considerou que eles simbolizavam "um passo à frente nas relações entre os dois lados do estreito (de Taiwan); e isso, mesmo se ninguém pode negar que ainda existem diferenças no que diz respeito às questões de segurança e ao lugar ocupado por Taiwan no contexto da comunidade internacional".

"Num futuro próximo", concluiu o presidente Ma, "as duas partes não deverão negar a sua existência recíproca". Nos dias que se seguiram à sua eleição, ele havia prometido que, durante o seu mandato, de maneira alguma seria abordada "a questão da independência, e nem mesmo a da reunificação" com o continente.

Os acordos assinados pelos dois países dizem respeito, entre outros, ao restabelecimento de vínculos marítimos e postais, ao aumento do número de rotas aéreas diretas que deverão conectar no futuro Taiwan a 21 cidades chinesas. Eles decorrem da vontade manifestada por Ma Ying-jeou de se aproximar da República Popular, depois de oito anos de tensões sino-taiwanesas.

O paradoxo da política taiwanesa faz com que Ma e o seu partido, o Kuomintang, o qual era um adversário encarniçado da China maoísta na época da guerra civil, se mostrem atualmente os mais favoráveis à melhoria das relações com o continente e ao imobilismo que vem vigorando nos últimos sessenta anos.

O encontro entre os dois homens teve de ser abreviado porque, no mesmo momento, dezenas de milhares de pessoas - uma centena de milhares segundo os organizadores - estavam participando de uma passeata, naquela mesma quinta-feira, pelas ruas de Taipé, no decorrer das quais elas enfrentaram, em meio a cenas de violência, as forças da ordem.

Mais de sessenta membros das forças da ordem foram feridos durante a noite de quinta para sexta-feira, durante os enfrentamentos com opositores que estavam armados de pedras e de coquetéis Molotov. A polícia procedeu a um grande número de prisões.

Reunidos para atenderem a uma convocação do Partido Democrático Progressista (DPP, a agremiação do ex-chefe do Estado), os opositores estavam decididos a denunciar este novo capítulo das relações com o grande vizinho, por considerarem que este reaquecimento beneficiará acima de tudo à China Popular.

Diversas outras manifestações já haviam sido realizadas desde a chegada, na segunda-feira, do emissário chinês. Estes agrupamentos de multidões também contaram com a participação de tibetanos no exílio, além de desempregados e dos membros da seita Falun Gong, proibida na China.

A grande manifestação da quinta-feira motivou até mesmo o emissário chinês Chen Yunlin a cancelar, por razões de segurança, a coletiva de imprensa que deveria ter sido realizada na noite de quinta-feira. Jean-Yves de Neufville

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