UOL Notícias Internacional
 

18/11/2008

A recuperação da economia mundial em três perguntas

Le Monde
Pierre-Antoine Delhommais
À falta de poder anunciar medidas concretas para reformar o sistema financeiro internacional, os chefes de Estado e de governo dos países do G20 chegaram a um acordo no sábado, 15 de novembro, em Washington, "sobre a necessidade de uma resposta política mais ampla baseada em uma cooperação macroeconômica mais estreita, para restaurar o crescimento, evitar as recaídas negativas e sustentar as economias dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento".

Se a palavra "recuperação" não é pronunciada no comunicado, sem dúvida para não chocar a fibra liberal de certos participantes, é bem disso que se trata.

Recuperação, por quê?

Diante de uma conjuntura que se degrada rapidamente no mundo inteiro, diante da ameaça de uma recessão longa e profunda, os 20 se dizem dispostos a tomar medidas de apoio direto à economia e de estímulo ao crescimento. Uma atitude nas antípodas do liberalismo em voga há anos e segundo o qual é preciso que o Estado intervenha o mínimo possível na vida dos negócios.

Mais ainda que a mobilização de verbas públicas para salvar os bancos, essa política de recuperação parece uma revanche de Keynes.

Recuperação, como?

A recuperação pode ser de ordem monetária, sob a forma de redução de taxas de juros decididas pelos bancos centrais. Taxas de juros menores, diminuindo o custo dos empréstimos, são favoráveis ao consumo das famílias, ao mercado imobiliário e aos investimentos das empresas. Mas os bancos centrais já utilizaram amplamente essa arma, reduzindo várias vezes os juros nos últimos meses. Nos EUA e no Japão, sua margem de manobra tornou-se muito fraca, as taxas de juros se situam em níveis próximos de 0%.

É, portanto, a arma orçamentária que se privilegia hoje. O comunicado do G20 cita "a utilização de medidas orçamentárias para estimular a demanda interna com resultados rápidos". O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, se diz favorável a planos de recuperação nacionais e coordenados, cujo montante equivaleria a 2% do Produto Interno Bruto dos países participantes. "Se houve um momento na história econômica moderna em que uma recuperação orçamentária deveria ser utilizada, é hoje", ele disse.

Uma revisão orçamentária que pode tomar a forma de novas despesas, por exemplo, políticas de grandes obras que dão trabalho para as empresas de obras públicas, ou reduções de impostos, que dão poder aquisitivo às famílias. Os planos chinês e japonês, que acabam de ser adotados, utilizam todas as alavancas ao mesmo tempo.

Qual pode ser a eficácia de uma recuperação?

"Nosso cálculo é que com 1% do PIB de revisão orçamentária, seja de crescimento das despesas ou reduções de impostos, o resultado será de 1% de crescimento suplementar, estima Strauss-Kahn. "Muitas vezes é verdade que o resultado não é tão elevado quando a revisão orçamentária é utilizada em um único país. Mas, quando você pensa em uma ação coordenada, o resultado é muito mais importante." Essa é a primeira dificuldade. Coordenar os planos de recuperação nacionais, para que seus efeitos estimulantes se somem em vez de se anular.

A outra dificuldade se relaciona ao fato de que esses planos correm o risco de fazer explodir os déficits públicos, tendo por conseqüência preocupar os cidadãos e baixar ainda mais seu moral. Eles também correm o risco, na medida em que serão financiados por empréstimos do Estado, de fazer disparar as taxas de juros de longo prazo, essenciais para o financiamento da economia. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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