UOL Notícias Internacional
 

18/11/2008

Adolescentes são "abandonados" em Nebraska

Le Monde
Corine Lesnes
Em Washington
Ao aprovar em fevereiro uma lei que permite que as mães em dificuldades abandonem seus filhos, a Assembléia de Nebraska pensou simplesmente em se colocar no mesmo diapasão do resto dos EUA. Em uma época em que democratas e republicanos tentavam reduzir o número de abortos, os parlamentares esperavam contribuir para o debate propondo uma ajuda aos pais em dificuldades. Ninguém seria processado por deixar uma "criança" em um hospital do Estado.

A lei entrou em vigor em 18 de julho. Desde então, 35 crianças foram abandonadas por seus pais ou seu tutor legal. Mas, longe dos recém-nascidos que a lei pretendia visar, são adolescentes que foram deixados em hospitais. De Michigan à Geórgia, pais vieram se livrar de sua prole em Nebraska.

Na segunda-feira (17), o governador republicano Dave Heineman convocou a Assembléia em sessão extraordinária. Os parlamentares devem reescrever a lei, fixando a idade limite das crianças afetadas. O debate não é fácil. Alguns eleitos não querem limitar o alcance do texto: o afluxo de "candidatos" reflete, segundo eles, até que ponto as necessidades são grandes.

Segundo o jornal local "Omaha Herald", das 30 primeiras crianças que chegaram desde a votação da lei 27 já haviam passado por tratamento psicológico, 28 vinham de famílias monoparentais e 22 tinham um parente ou tutor que havia sido preso. Em setembro, uma criança de 11 anos foi deixada por sua mãe adotiva, assim como outra de 15 anos, cuja pessoa encarregada desde a morte da mãe não conseguia mais cuidar dela. Um pai subitamente viúvo deixou nove filhos de 1 a 17 anos. O 22º caso foi o de uma jovem de 15 anos que sua mãe depositou no hospital depois de uma violenta discussão, dizendo-lhe: "Estou cheia de você".

Uma mãe que levou seu filho de 13 anos com uma mala de roupas sentiu remorsos. Ela explicou que queria principalmente que o adolescente rebelde levasse a sério suas ameaças. Tarde demais. Depois de deixar seu filho, os pais não têm mais decisão sobre seu destino. Um pai deu uma entrevista para se explicar. Ele se sentia culpado por não ter conseguido dar um tratamento psicológico e médico adequado ao seu filho.

Na véspera da mudança da lei, uma última criança chegou da região de Detroit. O menino foi trazido pela mãe, a avó e a tia. Chegou com roupas para trocar e US$ 10. Ele explicou que sua mãe estava "estressada" e "não podia mais cuidar dele". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h09

    0,30
    3,167
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h18

    0,40
    74.742,88
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host