UOL Notícias Internacional
 

19/11/2008

Pequim estreita seus laços com as economias latino-americanas

Le Monde
Jean-Michel Caroit
Em Santo Domingo (República Dominicana)
Na segunda-feira, 17 de novembro, o presidente chinês, Hu Jintao, chegou a Cuba, nesta que foi a segunda etapa de uma turnê latino-americana que inclui ainda a Costa Rica e o Peru, onde ele participará da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que será realizada em Lima em 22 de novembro. Às vésperas desta turnê, as autoridades de Pequim publicaram "um documento político visando a esclarecer os objetivos chineses para com a América Latina e o Caribe". Este "guia prático" enfatiza "os recursos abundantes e o extraordinário potencial de desenvolvimento" desta região, da qual a China tornou-se o terceiro parceiro comercial.

O comércio bilateral entre a China e a América Latina registrou um crescimento do seu volume no decorrer dos três primeiros trimestres de 2008, em relação ao mesmo período em 2007, alcançando US$ 111,5 bilhões (R$ 255,69 bilhões). As exportações chinesas aumentaram em 48,9%, alcançando US$ 54,5 bilhões (R$ 125 bilhões), enquanto as importações somaram 55,2% (US$ 57 bilhões - R$ 130 bilhões). Em 2007, o comércio bilateral havia alcançado US$ 102,6 bilhões (R$ 235,28 bilhões), ao passo que este movimentara apenas US$ 8,4 bilhões em 1995.

Os três principais parceiros da China na região são o Brasil - os intercâmbios comerciais deste país com a China alcançaram US$ 29,7 bilhões (R$ 68,11 bilhões) em 2007 -, o México e o Chile.

Os investimentos chineses na região foram de US$ 22 bilhões (R$ 50,45 bilhões) no final de 2007 (longe atrás dos US$ 350 bilhões (R$ 802,62 bilhões) que foram investidos pelos Estados Unidos). A China passou a integrar o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em outubro deste ano. Na ocasião, ela comprometeu-se a disponibilizar a quantia de US$ 350 milhões (R$ 802,62 milhões) para esta entidade.
NÚMEROS
Além de destacar as questões do desenvolvimento dos intercâmbios e a assinatura de acordos de livre comércio, o documento refere-se a um possível crescimento da cooperação em matéria de defesa e de segurança. O comércio entre a China e a América Latina aumentou consideravelmente ao longo dos últimos dez anos, movimentando a quantia total de US$ 102 bilhões em 2007 (quantia equivalente hoje a R$ 234 bilhões). A China compra soja e ferro do Brasil, cobre do Chile, estanho da Bolívia, níquel de Cuba e petróleo da Venezuela. Contudo, as exportações chinesas de têxteis e equipamentos eletrônicos representaram uma dura concorrência para as usinas da América Central e do Caribe.

Acordo de livre comércio

A turnê na América Latina e no Caribe de Hu Jintao antecede em dez dias a visita do seu homólogo russo em Cuba. O presidente Dmitri Medvedev, que participará da cúpula de Lima, dará então prosseguimento à sua viagem, que incluirá escalas pelo Brasil, a Venezuela e Cuba. Com intercâmbios comerciais que movimentaram US$ 2,3 bilhões em 2007 (R$ 5,27 bilhões), a China é o segundo maior parceiro da ilha, depois da Venezuela. A economia cubana foi duramente prejudicada por três ciclones (que provocaram destruições avaliadas em US$ 10 bilhões - R$ 23 bilhões) e ainda pela derrubada dos preços do níquel, que é o seu principal produto de exportação.

Em San José, Hu Jintao anunciou a abertura de negociações, tendo em vista a assinatura de um acordo de livre comércio com a Costa Rica, o único país da América Central a ter rompido, em junho de 2007, suas relações diplomáticas com Taiwan. Em troca, a Costa Rica obteve empréstimos no valor de US$ 430 milhões (R$ 986 milhões), e ainda o apoio de Pequim quando solicitou um assento temporário no Conselho de Segurança das Nações Unidas. No decorrer da sua visita, o presidente chinês assinou onze acordos. Um deles diz respeito à construção de uma refinaria regional. A balança comercial acabou ficando ligeiramente favorável para a Costa Rica, em função das exportações de componentes eletrônicos fabricados neste país pela companhia americana Intel.

Por sua vez, o presidente nicaragüense Daniel Ortega optou por não seguir o exemplo costarriquenho. "Com os chineses, as discussões são demoradas", confidenciou Bayardo Arce, que é o presidente da Associação de Amizade entre a Nicarágua e a China. "Durante os anos 1980, nós havíamos rompido com Taiwan, mas a China não havia proporcionado ao nosso país as vantagens prometidas". As relações da Nicarágua com Taiwan haviam sido restabelecidas em 1990, pela presidente Violeta Chamorro. "Eu me reuni com membros da delegação chinesa num país terceiro", prossegue Bayardo Arce. "Naquela ocasião, eu lhes disse: 'Aqui está o montante da cooperação e dos investimentos taiwaneses, e isto aqui é a dívida que nós temos com eles. Vocês estariam dispostos a cobrir este montante e a tomar o lugar deles? ' Desde então, estamos esperando uma resposta".
Jean-Yves de Neufville

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,71
    3,168
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,12
    68.634,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host