UOL Notícias Internacional
 

21/11/2008

Nomes de filiados à extrema-direita britânica são divulgados na Internet

Le Monde
Virginie Malingre
Em Londres
Na terça-feira, 18 de novembro, durante a noite, muitos membros do British National Party (BNP - Partido Nacional Britânico), a agremiação da extrema-direita britânica, descobriram que a lista dos filiados do partido liderado por Nick Griffin havia sido publicada num site na Internet, do qual ela acabou sendo retirada desde então. No total, cerca de 13 mil nomes nela estavam incluídos. Ao lado de cada nome estava informado seu endereço domiciliar, seu telefone, seu endereço de e-mail e sua profissão. Além disso, quando os membros do BNP haviam optado por uma inscrição familiar, que dava direito a uma tarifa reduzida, a lista também incluía o nome e a idade dos seus filhos.

"Que Deus ajude aqueles que trabalham no exército, nos serviços penitenciários, na polícia, ou são professores em algum estabelecimento", escreveu na noite de terça-feira um membro do BNP, num fórum de discussão nacionalista. De fato, todas essas profissões estavam efetivamente representadas na lista.

A lei britânica proíbe que os policiais e os funcionários do sistema penitenciário sejam filiados ao BNP, uma agremiação considerada como incompatível com os deveres e os valores que caracterizam sua profissão. Por esta razão, a polícia do condado de Merseyside, no noroeste da Inglaterra, abriu um inquérito para apurar as atividades de um dos seus homens que figura na lista. Da mesma forma, a administração penitenciária está procurando verificar se um dos seus guardas de prisão, cujo nome está incluído no rol dos filiados do BNP, é mesmo um militante de extrema-direita antes de dar início a "processos disciplinares".

Quanto aos docentes e aos militares, embora nada os proíba de serem militantes de extrema-direita, eles sabem que a sua hierarquia não apreciaria nem um pouco o fato de eles serem membros deste partido, que recruta apenas integrantes brancos. Da mesma forma, este pastor cujo nome consta da lista do BNP também deverá possivelmente prestar contas perante os seus superiores. O que é ainda o caso deste professor universitário especializado nos direitos humanos, daquele cientista inglês renomado, ou ainda daqueles advogados...

"Skinhead desclassificado"

Nick Griffin reconheceu que a lista era "globalmente justa" e deu queixa na polícia por divulgação de informações confidenciais. Entretanto, ele se disse satisfeito com o fato de que este caso comprovou que o membro típico do BNP não é "nenhum skinhead desclassificado". "Isso vai ser benéfico no quadro do nosso reposicionamento, quando deixaremos claro que o nosso partido é integrado por britânicos ordinários pertencentes a todas as camadas da sociedade", declarou o líder em entrevista à BBC.

O BNP, que por muito tempo alardeou suas posições racistas e pró-nazistas, não possui nenhum representante eleito em Westminster, o Parlamento do Reino Unido (em 2005, ele não obteve mais do que 0,7 % dos sufrágios). Ele conseguiu galgar certa progressão nas eleições locais em maio de 2008, conquistando 46 assentos (de um total de 22 mil) no contexto das comunas, contra 20 anteriormente. Ele conta um eleito em Londres. E está decidido a obter a eleição de ao menos um deputado nas próximas eleições que definirão a composição do Parlamento europeu, em Estrasburgo, um contexto no qual ele tradicionalmente costuma obter resultados melhores do que em nível nacional. Em 2004, ele havia conquistado 4,9% dos votos. Jean-Yves de Neufville

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