UOL Notícias Internacional
 

22/11/2008

China: confrontos entre agricultores e policiais com fundo de crise social

Le Monde
Bruno Philip
Em Pequim
O cenário já é um clássico na China, mas ganha relevo nestes tempos de incertezas socioeconômicas. Milhares de habitantes da pequena cidade de Longnan, na província de Gansu, nordeste da China, confrontaram violentamente a polícia antimotins no início da semana.

Os manifestantes lutaram contra as forças da ordem com machados e barras de ferro. A imprensa publicou fotos de uma fileira de policiais com capacetes protegendo-se da multidão atrás de escudos. Cerca de 60 deles foram feridos. O governo local anunciou na quinta-feira (20) a prisão de cerca de 30 pessoas.

Desde 2007, o prefeito da cidade de Lognan tinha o projeto de transferir o centro administrativo e construir os novos edifícios da sede municipal em Dongjiang, capital de cantão situada no campo, não longe de lá. Uma decisão que significava expropriar os agricultores de seus campos. Estes não os possuem, mas têm o direito de uso.

Nessas terras pobres do nordeste chinês, em uma região onde mais de 200 pessoas morreram durante os terremotos que devastaram a vizinha Sichuan em maio, os espíritos se aqueceram rapidamente. Desde o início das obras, os camponeses expropriados viviam em abrigos provisórios. Quando circularam rumores de que o prefeito tinha mudado de opinião e ia transferir o centro administrativo para outro local, os habitantes deram livre curso à sua fúria: foram expropriados por nada!

Em 17 de novembro, cerca de 30 deles protestaram diante das grades da sede do governo local. Depois tentaram forçar as portas. "Os guardas de segurança espancaram vários manifestantes e por volta das 20 horas havia pelo menos 10 mil pessoas reunidas", indica um blog na Internet escrito por um residente anônimo. Os paramilitares da Polícia Armada Popular (PAP) foram chamados como reforço e dominaram o motim por meio de granadas lacrimogêneas.

No dia seguinte, uma multidão de agricultores exasperados passou ao ataque de maneira mais violenta, conta ainda o blogueiro, que descreve os manifestantes "saqueando os edifícios oficiais e provocando incêndios".

A rebelião de Longnan é um dos últimos exemplos desse tipo de incidentes crescentes no momento em que o governo chinês pretende demonstrar sua capacidade de garantir "a harmonia social", palavra de ordem do poder de Pequim. Os últimos números da violência nas províncias divulgados oficialmente falavam em 87 mil incidentes em 2005. Desde então é o silêncio sobre a questão de se hoje o poder central deixa a imprensa se inteirar desse tipo de acontecimento, assim atestando sua irritação sobre os funcionários locais.

Desde junho, acontecimentos da mesma natureza e que sempre têm como causa o confronto entre agricultores e autoridades locais ocorreram no sul, na província de Guizhou, perto de Xangai no Zhejiang, em Yunan no sudoeste e em Hunan, no centro do país.

Em 7 de novembro, na zona econômica especial de Shenzhen, atingida pela crise financeira, milhares de pessoas atacaram a polícia para protestar depois da morte de uma motociclista que tentou escapar de um controle. Pequim pode se alarmar. A crise mundial, cujo impacto é hoje considerado mais forte do que se previa na China, corre o risco de exacerbar as tensões sociais. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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