UOL Notícias Internacional
 

14/12/2008

Diplomados mas desclassificados, os jovens europeus do sul acumulam dificuldades

Le Monde
Brigitte Perucca
"Mileuristas" espanhóis, "generazione mille euro" à italiana, a dos 650 euros na Grécia, Contrato de Primeiro Emprego (CPE) na França... Os jovens diplomados em plena revolta na Grécia compartilham com seus vizinhos da Europa meridional o triste recorde de ser muito mal pagos quando encontram um emprego, muitas vezes precário. Diplomados mas desclassificados, eles moram com os pais até os 30 anos ou mais. Por motivos financeiros, mas também por ligação à família, uma tradição mediterrânea.

"Algumas sociedades compartilham o peso da precariedade entre as gerações. Aqui toda a precariedade se concentra nos jovens", resume o pesquisador Olivier Galland, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas. Ele dá como prova a porcentagem na França de assalariados com contrato de duração indeterminada na faixa de 30 a 50 anos, "que não se alterou em 20 anos".

Lanterninha em termos de índice de desemprego de jovens, com 25,2% na faixa de 15 a 24 anos (Eurostat, 2006), a Grécia é seguida pela França (22,6%) e a Itália (21,6%). Presa de um desemprego que se tornou novamente maciço, a Espanha corre forte risco de fazer seus jovens sofrerem a mesma sorte.

Entre estudos prolongados e empregos escassos, esses novos desclassificados são vítimas de uma "promessa não cumprida" quando se vêem em um emprego sem relação com seu investimento educacional, resume a socióloga Cécile Van de Velde. A decepção é ainda maior porque esses países viveram em alguns anos um "salto" importante entre a geração dos pais que não estudaram e a dos filhos superdiplomados. "Esses países conheceram um aumento brutal dos níveis de estudos para recuperar seu atraso", lembra a pesquisadora Marie Duru-Bellat.

Um drama em uma Europa do sul que tem em comum a religião do diploma e um corte entre as universidades e o mundo do trabalho, ao contrário dos países anglo-saxões e escandinavos.


Na Dinamarca, país modelo em termos de políticas para a juventude, a proximidade das empresas dos jovens é maior pelo fato dos estágios e da presença das empresas nas universidades. Mas nesses países cada jovem se beneficia aos 18 anos de uma bolsa de estudos distribuída sob a forma de 72 bônus mensais (com um valor total de cerca de 1.000 euros), que cada um usa à vontade e sem limite de idade. Como na Grã-Bretanha, o estudante-trabalhador é a regra e a autonomia, a norma.

Nada disso sob as latitudes mais meridionais. À imagem da França, que sempre afastou a idéia de uma verba para estudos, a Espanha, a Itália ou a Grécia não desenvolveram políticas de ajuda específica de acesso dos jovens à autonomia. Esses países preferem, como dizem os especialistas, as "transferências familiares", ou seja, ajudar as famílias, que por sua vez ajudarão os jovens.

Não é de surpreender que essas gerações cangurus se prendam à família enquanto rejeitam o momento de formar uma própria. O índice de natalidade está em 1,32 filho por mulher na Itália, 1,39 na Grécia ou ainda 1,38 na Espanha.

Os "bamboccioni" ("filhos da mamãe") raramente deixam o lar antes dos 30 anos. Os jovens gregos, espanhóis e portugueses também se incrustam com uma idade média de saída da casa familiar aos 27 anos. A França, apesar de tudo, escapa ao fenômeno, com uma idade média de saída de 23 anos. Na Espanha, acrescenta-se a obsessão do acesso à propriedade, "não há transição entre a família que deixamos e a família que formamos", resume Olivier Ferrand, autor, com Alessandro Cavalli e Vincenzo Cicchelli, de "Deux pays, deux jeunesses?" (Presses Universitaires de Rennes) [Dois países, duas juventudes?].

Diante desse acúmulo de dificuldades, o que surpreende os observadores é que os jovens não se revoltem mais. Mas quando essas rebeliões ocorrem traduzem certamente mais, segundo o sociólogo italiano, "não a luta por futuros encantados, mas o medo de perder o que se tem".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,21
    3,129
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h35

    0,04
    76.004,15
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host