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24/12/2008

UE e Brasil pedem reforma do sistema financeiro

Le Monde
Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro
Pela voz de Nicolas Sarkozy, a UE propôs ao Brasil trabalhar "com empenho" para reformar em profundidade o sistema financeiro e a governança mundiais. Na segunda-feira, 22, durante o primeiro dia de sua visita oficial, no Rio de Janeiro, o chefe de Estado francês, falando como presidente da União Européia, desejou que o Brasil e a Europa cheguem "com propostas comuns" à próxima cúpula do G20 em Londres, em 2 de abril de 2009, dedicada à crise.

Diante de uma platéia de homens de negócios europeus e brasileiros, Sarkozy lançou a seu homólogo, Luiz Inácio Lula da Silva, um verdadeiro apelo para "trabalhar juntos, de mãos dadas". "Não é uma opção, é um dever", ele acrescentou. "Estamos decididos a pesar para que as coisas mudem em profundidade, para depositar as bases de um sistema monetário mais equilibrado. Não podemos aceitar que uma única instituição financeira não seja vigiada." "Será preciso nos unirmos, presidente Lula", continuou Sarkozy, "pois os interesses a serviço do conservadorismo e do imobilismo são muito poderosos. A Europa sozinha não pode portar essa mensagem de mudança. Desejo que preparemos juntos essa cúpula."

O presidente francês acompanhou sua oferta de opiniões lisonjeiras sobre o país anfitrião: "O Brasil é um dos grandes do mundo", "nós precisamos dele", "todos os países da Europa amam o Brasil, mas a França vai demonstrar como o ama e o respeita".

Para sair do impasse das negociações da rodada de Doha sobre a liberalização do comércio internacional, Sarkozy desejou "que em certo momento, em 2009, Barack Obama tome iniciativas que abalem os velhos hábitos", pois "não podemos nos satisfazer com conferências internacionais".

"Nem tudo é perfeito"

Aos brasileiros que se queixam de um relativo fechamento dos mercados europeus a seus produtos, Sarkozy lembrou que suas exportações de produtos agrícolas para a UE triplicaram desde 2000, acrescentando: "Nem tudo é perfeito, mas nós também queremos aumentar nossas exportações de produtos industrializados e de serviços para o Brasil".
Desde que adotou seu "pacote" sobre a energia e o clima, a Europa quer fazer escola. Sarkozy disse isso ao presidente Lula com precaução, mas com certa insistência. A UE espera que o Brasil, o pulmão do planeta, se comprometa "sobre metas definidas em termos de redução do desflorestamento e da ocupação da Amazônia".

O Brasil é considerado o quarto principal emissor mundial de gases de efeito estufa, sendo três quartos por causa do desmatamento. O presidente Lula prometeu reduzir este último em 71% até 2017 e em 80% até 2020. Sarkozy recebeu esse prazo como "uma grande notícia".

Na terça-feira, a parte bilateral da visita presidencial deveria culminar com a assinatura de cerca de doze acordos, entre eles um para a construção de quatro submarinos de ataque clássico do tipo Scorpène e um quinto que será dotado de propulsão nuclear pela marinha brasileira. O presidente francês e sua mulher, Carla Bruni-Sarkozy, vão tirar seis dias de férias no Brasil, que passarão na região de Salvador, Bahia. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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