UOL Notícias Internacional
 

27/12/2008

Empresa francesa promete terminar hotel fantasma na Coréia do Norte

Le Monde
Philippe Pons
A República Popular Democrática da Coréia (RPDC) lançou em 15 de dezembro sua terceira geração de telefones celulares. A operadora é o grupo egípcio Orascom, que deverá investir US$ 400 milhões (285 milhões de euros) nos próximos quatro anos. Em 2002 o regime mais fechado do mundo - rádios e televisores só podem receber os programas oficiais - já havia experimentado um serviço de telefonia móvel, mas 18 meses depois sua utilização foi proibida, salvo para uma elite restrita.

O sistema implementado pela Orascom permite conexões rápidas com a Internet, mas o custo de um celular (US$ 700, ou cerca de 500 euros) é proibitivo. A utilização ilegal de celulares na região de fronteira com a China - que permitem comunicações com o exterior - é, aliás, passível de pesadas penas.

Pelo jogo de participações acionárias, uma empresa francesa está indiretamente envolvida nessa operação e aparece entre os principais investidores estrangeiros na Coréia do Norte, senão o maior. Ao assumir o controle em dezembro de 2007 da divisão de cimento da Orascom, a francesa Ciment Lafarge tornou-se sócia, com 50%, de uma cimenteira norte-coreana, que tem entre seus projetos o reinício das obras do hotel Ryugyong em Pyongyang, capital norte-coreana.

Pirâmide de concreto
Uma grande pirâmide de concreto no norte da cidade, o hotel de 330 metros de altura é o símbolo das ambições faraônicas do regime. Os trabalhos começaram em 1987, prevendo o Festival Mundial da Juventude de 1989, contraponto aos Jogos Olímpicos de Seul (1988), para os quais a Coréia do Norte não foi convidada. O estabelecimento deveria ter 3 mil quartos. Mas desde a interrupção das obras, em 1992, só pássaros se hospedam lá.

Mas a Orascom se comprometeu a retomar a obra, assumindo uma participação de US$ 115 milhões na empresa norte-coreana Sangwon Concrete Company, empreiteira do projeto. Um acordo que foi herdado pela Ciment Lafarge. O chefe do grupo francês, Bruno Lafarge, foi recebido em setembro pelo presidente da Assembléia Suprema do povo, Kim Young-nam, que assume as funções de chefe de Estado.

Pyongyang dá grande importância ao término do Ryugyong, lembrança embaraçosa de um fracasso que o governo quer absolutamente apagar para a comemoração em 2012 do centésimo aniversário do nascimento do "grande dirigente" Kim Il-sung.

Ao endossar os compromissos da Orascom, a Lafarge sucede a outra empresa francesa que havia começado a construção do hotel, mas desistiu de terminá-lo por causa de quebras de contratos pela Coréia do Norte. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host