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30/12/2008

Astrônomos na luta contra a "poluição luminosa" do céu noturno

Le Monde
Stéphane Thépot
Correspondente em Toulouse
No cume do Pico do Midi de Bigorre (Altos Pirineus), os astrônomos não monitoram mais somente as estrelas. As luzes da cidade também são examinadas com um olhar novo e desconfiado pelos freqüentadores do observatório, construído no final do século XIX a 2877 metros de altitude.

"À noite, reconhecemos no céu os halos luminosos de Toulouse ou de Barcelona", se alarma Sébastien Vauclair, um jovem astrofísico que não hesita em denunciar uma verdadeira "poluição luminosa".

A pequena comunidade dos utilizadores de telescópios se preocupa há dezenas de anos com a diminuição da escuridão natural, frente ao aumento da iluminação artificial.

A Via Láctea desapareceu do céu noturno das cidades, onde não se distingue, em média, mais do que algumas dezenas de estrelas, contra mais de 2 mil no campo. Um mapa-múndi noturno editado em 2001 pelo astrônomo italiano Cinzano mostra que 20% da superfície do globo já foi atingida, essencialmente no hemisfério Norte, e esse halo luminoso aumentaria 5% por ano na Europa.

Para lutar contra essa nova nocividade, ainda pouco sensível para os leigos, Sébastien Vauclair pretende erguer o pico do Midi como símbolo. Em 11 de junho de 2009, ele prevê lançar oficialmente a criação de uma "reserva internacional de céu estrelado" na presença de Hubert Reeves.

Esse projeto será uma das principais medidas na França no ano de 2009, decretado o "Ano mundial da astronomia" pela ONU para comemorar o quarto centenário da utilização da luneta astronômica por Galileu. Ele se inspira em um precedente, conduzido no Canadá em torno do Mont-Mégantic (Quebec), que resultou, em 2007, na delimitação de um perímetro de proteção de 5500 km2 em um raio de 50 km em torno de um observatório astronômico.

"Escudo legislativo"
Outros observatórios, na América do Norte ou na Europa, já tentaram, no passado, preservar seus entornos das agressões da luz artificial. Com um sucesso talvez moderado. Assim, nos Alpes da Alta Provença, certos astrônomos amadores preferem escalar com seus telescópios até a montanha de Lure (1600 m) em vez de freqüentar o observatório de Saint-Michel, considerado próximo demais das vilas turísticas de Manosque e de Forcalquier.

Nos Pirineus, os protetores do céu do pico do Midi esperam inaugurar um novo "escudo" legislativo mais eficaz. O Grenelle do meio-ambiente esperou, de fato, inscrever a poluição luminosa no código do meio-ambiente. "As emissões de luz artificial da natureza que apresentem perigos ou causem um transtorno excessivo às pessoas, à fauna, à flora ou aos ecossistemas, levando a um desperdício energético ou impedindo a observação do céu noturno estarão sujeitas a medidas de prevenção, de repressão ou de limitação", estipula o artigo 36 da lei votada em outubro de 2008 (Grenelle I).

Com esse apoio governamental, os protetores da Ursa Maior acima dos Pirineus esperam, da mesma forma, obter o apoio dos eleitos locais, alegando as economias de energia que eles poderiam realizar. Os municípios de Bagnères-de-Bigorre, Lourdes, Tarbes ou Lannemezan foram acercados, assim como o departamento dos Altos Pirineus, que administra o pico do Midi desde sua abertura ao público em 2000.

Os astrônomos, que tiveram de aprender a dividir o pico com o grande público, procuram compartilhar seu combate evitando a desconfiança de uma reivindicação corporativista demais. François Colas, astrônomo no Observatório de Paris e presidente da associação Pirène, criada em outubro para conduzir o projeto, veio para a comuna de Barèges para uma conferência sobre "ecologia noturna". "Pensamos, erroneamente, que a poluição luminosa diz respeito unicamente aos apaixonados pelo céu", sustenta Colas, que estende sua proposta aos impactos sobre a fauna ou a flora.

Sébastien Vauclair chega a visar uma aliança, a crédito, com o parque nacional dos Pirineus, constituído historicamente em torno da reserva natural de Néouvielle, vizinha do pico do Midi. Como seu vizinho terrestre, a reserva das estrelas prevê uma zona central e uma "zona tampão", onde as pressões regulamentares seriam menos severas. Lana Lim

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