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31/12/2008

Catástrofes naturais: a crise climática em questão

Le Monde
Laurence Caramel
Em 2008, as catástrofes naturais causaram a morte de mais de 220 mil pessoas e provocaram prejuízos materiais estimados em quase 200 bilhões de dólares (140 bilhões de euros), segundo o balanço anual estabelecido pela segunda maior resseguradora do mundo, a Munich Re. "Trata-se de um dos anos mais devastadores desde que as cifras existem", estima o grupo alemão que aponta, na exacerbação dos fenômenos naturais extremos, os efeitos da mudança climática. Se o número de cataclismos recuou em relação a 2007 - "somente" 750, contra 950 do ano anterior - suas repercussões são comparáveis aos anos negros de 1995, marcado pelo terremoto de Kobe (Japão), ou de 2005, com o furacão Katrina (Estados Unidos) e as conseqüências dos tsunamis na Ásia.

"Esses resultados confirmam as tendências de longo prazo que observamos. A mudança climática já começou e as perdas são cada vez mais pesadas, pois os sinistros se concentram em zonas muito expostas como as regiões costeiras", explica Torsten Jeworrek, membro do conselho administrativo da Munich Re, pleiteando para que a comunidade internacional chegue, no final de 2009, na Cúpula de Copenhague, a um acordo que fixe ao menos o objetivo de reduzir em 50% as emissões mundiais de gases do efeito estufa até 2050. "Se demorarmos ainda mais, avisa ele, a conta será muito alta para as gerações futuras".

Salvo o terremoto de Sichuan (China), todos os cataclismos importantes do ano ilustram ao mesmo tempo as conseqüências dos desarranjos climáticos e a incidência de uma gestão cega dos meios naturais. Em Mianmar, a destruição recente do mangue, que antes formava uma barreira natural, explica em grande parte o balanço dramático do tufão Nargis, estimado em 85 mil mortos, 54 mil desaparecidos e quase 4 bilhões de dólares de prejuízos em um dos países mais pobres do planeta. Em termos humanos, é o acontecimento mais pesado do ano. "A tempestade tropical atingiu primeiramente o delta do Irrawaddy e a antiga capital, Rangun, e como nada mais a detia, ela pôde avançar até 40 quilômetros no interior das terras. As inundações através do país atingiram 3,5 metros de altura e mais de 1 milhão de pessoas perderam seus tetos", explica o relatório da Munich Re.

Infra-estruturas destruídas

As dezenas de milhares de vítimas, as dezenas de bilhões de dólares de infra-estruturas destruídas pelo mundo também dão uma idéia do que o futuro poderá reservar se a comunidade internacional não encontrar uma solução para financiar as políticas de adaptação às mudanças climáticas que pedem os países mais vulneráveis. A sucessão, sem precedente desde 1995, de ciclones de forte intensidade no mar do Caribe e sobre as costas americanas, causou mais de 50 bilhões de dólares de prejuízos materiais. Na China, uma onda incomum de frio teve um grande impacto sobre as infra-estruturas de 18 províncias e deixou uma conta de 21 bilhões de dólares.

Se as seguradoras se mostram tão preocupadas com o fenômeno, é porque estão entre os principais interessados. Em 2008, elas tiveram de pagar 45 bilhões de dólares às vítimas, ou seja, 50% mais do que no ano anterior. A Munich Re procurou se adaptar a essa nova situação desenvolvendo novos instrumentos de cobertura de riscos. Mas o exercício tem seus limites, e no final das contas é a comunidade que sofre o essencial dos custos ligados às catástrofes naturais. Lana Lim

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