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01/01/2009

Steven Spielberg e Hollywood são pegos pela tormenta financeira

Le Monde
Claudine Mulard
Do Le Monde
Em Los Angeles
O fim do ano está sendo difícil para Hollywood, onde a ameaça de uma greve de autores se soma ao clima financeiro depressivo. A crise econômica afeta até mesmo Steven Spielberg, diretor de grandes filmes ("Tubarão", "ET") e produtor de séries de sucesso ("Indiana Jones"), e cuja fortuna pessoal foi estimada em 3,1 bilhões de dólares pela revista Forbes. Hoje, a capacidade de produção da companhia DreamWorks está ameaçada.

Junto com Jeffrey Katzenberg, seu ex-sócio de negócios e diretor do estúdio DreamWorks Animation ("Shrek", "Madagascar"), Spielberg é uma das inúmeras personalidades de Hollywood que foram vítimas da fraude do financista de Wall Street, Bernard Madoff. Nem Spielberg nem Katzenberg conheciam o investidor que agora está preso, mas seu corretor oficial, Gerald Breslauer, tinha fundos com Madoff.

Spielberg, e Katzenberg ainda mais, teriam investido seu capital pessoal com Madoff, mas nenhum valor foi divulgado. Além disso, a fundação beneficente deles, Wunderkinder, que atua nas áreas educativa, artística e médica, reconhece ter perdido "certa quantia"
depois de ter investido uma "porção importante" de seus ativos com Madoff. Segundo as declarações fiscais de 2006, 70% dos lucros da fundação vinham de investimentos nesses fundos duvidosos.

Steven Spielberg tem outros problemas financeiros enquanto produtor.
Estes não estão ligados a Madoff, mas à queda da bolsa. Em agosto, ele se separou dos estúdios Paramount, proprietários da DreamWorks desde 2005. Ele anunciou, em outubro, que reinauguraria um estúdio independente com o nome de DreamWorks, mas com o financiamento do grupo indiano Reliance Big Entertainment.

Os investidores indianos entrariam com 500 milhões de dólares, sob a condição de que Spielberg levantasse outros 750 milhões, prevendo a produção de cerca de vinte filmes em sete anos. Mas o financiamento de Spielberg viria em parte da companhia de seguros americana AIG, que faliu.

Até mesmo para um cineasta cujos filmes são tão rentáveis, os banqueiros do JP Morgan enfrentam uma redução geral do crédito, a ponto de serem incapazes de levantar os fundos necessários à produção dos filmes da DreamWorks. O único filme de Spielberg em pré-produção é a versão animada em 3D de "Tintin", com um orçamento de 130 milhões de dólares.

Segundo o acordo de separação, Spielberg deve pagar cerca de 25 milhões de dólares à Paramount até meados de janeiro para reaver os direitos de seus filmes. Além de seus projetos: "Hereafter", um thriller que poderá ser dirigido por Clint Eastwood, e uma refilmagem de "Jantar de Palermas", de Francis Weber, uma comédia judaica.

A situação é tão grave que a revista especializada Variety perguntou:
"Se tivessem de recomeçar, será que o co-fundador da DreamWorks, Steven Spielberg, e sua sócia, Stacey Snider, deixariam a situação rentável na Paramount Pictures?"
Será que Spielberg, que sempre relutou em investir seu próprio dinheiro em seus filmes e que não está arruinado apesar das perdas que afetam seus ativos pessoais e suas atividades filantrópicas, será obrigado a tirar dinheiro do bolso? Em todo caso, ele terá que se adaptar ao cinema dos tempos de crise, com menos filmes, e orçamentos mais modestos.

"O maior imbecil do mundo?"
Spielberg não é o único com problemas. No que diz respeito a Madoff, a lista de vítimas se alonga. Eric Roth, o roteirista de "Forrest Gump", acabou de saber que foi selecionado para o Golden Globe por seu roteiro para o filme "O Curioso Caso de Benjamim Button", dirigido por David Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett, que deve ser lançado na França em 4 de fevereiro de 2009. Mas ao mesmo tempo descobriu que havia perdido todos os seus investimentos num fundo de aposentadoria.
"Tenho a sensação de ser o maior imbecil do mundo!", declarou o roteirista ao jornal Los Angeles Times, recusando-se, assim como seus colegas, a especificar o valor de suas perdas.

As associações beneficentes da comunidade judaica, envolvidas com a cultura e o cinema, também foram bastante afetadas pelo escândalo. A Federação Judaica de Los Angeles perdeu 6,4 milhões de dólares, cerca de 11% de suas doações, a Jewish Community Foundation estima suas perdas em 18 milhões, e a American Jewish Congress prevê o fechamento de seu escritório em Los Angeles.

"Foi um acontecimento catastrófico para a comunidade judaica", comenta Rob Eshman, redator-chefe do semanário Jewish Journal, de Los Angeles, que exprime sua raiva dizendo que Madoff "destruiu vidas".

Tradução: Eloise De Vylder Eloise De Vylder

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