UOL Notícias Internacional
 

03/01/2009

Pesquisa aponta que China esta próxima de recuperar seu atraso

Le Monde
Brigitte Perucca
Despesas, técnicas, publicações científicas, patentes: a China, como mostra o último relatório bienal do Observatório das Ciências e das Técnicas (OST) que acaba de ser publicado, progrediu de maneira espetacular em todas as frentes da pesquisa e do desenvolvimento.

Ainda que, como indicou uma pesquisa da Organização pela Cooperação e pelo Desenvolvimento Econômicos (OCDE), as despesas e os progressos da pesquisa chinesa devam ser relativizados (Le Monde, 30 de agosto de 2007), essa potência se intensifica incontestavelmente.

Enquanto os Estados Unidos permanecem, de longe, a superpotência em matéria de pesquisa e desenvolvimento com uma despesa interna de 280 bilhões de dólares (198 bilhões de euros), bem à frente da União Europeia (UE) com 199 bilhões de dólares e do Japão (113 bilhões de dólares), a China se senta à mesa dos grandes com gastos de 101 bilhões de dólares.

Uma dinâmica de progresso foi engrenada. Esse país mais do que dobrou seus gastos internos em pesquisa e desenvolvimento entre 2000 e 2005, elevando sua participação nas despesas mundiais de 6,2% para 11,8%, ao passo que as dos Estados Unidos, da UE e do Japão, em uma medida menor, regrediram. Mas enquanto as despesas públicas se mostram em forte aumento nos Estados Unidos (+20% entre 2000 e 2005) e na União Europeia (+4%), elas diminuem no Japão (-19%) e na China (-21%). Por outro lado, o setor privado ganha terreno nesses dois países.

A demografia é um outro indicador apresentado no relatório da OST. Dos 140 milhões de estudantes recenseados no mundo, 40,3% estão na Ásia, contra 25,8% na Europa, 15,3% na América do Norte, 9% na América Central e do Sul e 5,6% na África. Dotado de um capital humano gigantesco - ainda que uma proporção muito pequena de sua população tenha acesso ao ensino superior - , a China é o país que conta o maior número de estudantes: 23,4 milhões, contra 17,3 milhões nos Estados Unidos.

O mesmo acontece em termos de pesquisadores. Dos 6 milhões recenseados no mundo, a OST aponta que 35,2% dentre eles vivem na Ásia, contra 32,8% na Europa e 25,4% na América do Norte. Sozinhos, os Estados Unidos concentram 1,4 milhão de pesquisadores, contra 1,3 milhão na EU e 1,1 milhão na China. No entanto, é no Japão que a densidade de pesquisadores em relação à população ativa é a mais forte (10,6 pesquisadores para 1000 ativos), essa proporção se estabelece em 9,21 nos Estados Unidos e em 5,70 na União Europeia, muito à frente da China que dispõe somente de 1,43 pesquisador para 1000 ativos.

Grande produtividade

As publicações constituem também um indicador precioso para medir a dinâmica das equipes de pesquisa. O crescimento da Ásia, que ganhou mais de 4 pontos entre 2001 e 2006, passando de 18,3% a 22,4% na participação mundial das publicações, é ali mais evidente. Somente para a China, o salto à frente foi fenomenal, com o país progredindo em 96% ao longo do período, disparando para a terceira posição mundial "com 7% das publicações de todas as disciplinas juntas", ou seja, três posições melhor do que em 2001.

De qualquer forma, essa produtividade não é acompanhada de uma grande visibilidade. Não só a União Europeia continua a ser a número um absoluta em matéria de publicações científicas (33,3%), à frente dos Estados Unidos (26,2%), como o "impacto" desses trabalhos (ou seja, o número de citações provocadas por uma publicação) - particularmente aquelas dos americanos - é bem mais forte que as dos asiáticos.

Outro índice importante do dinamismo tecnológico de um país, os pedidos de patente europeia por países da Ásia explodem: sua participação aumentou em 41%, ao passo que os pedidos que emanam de países da Europa e da América do Norte diminuíram em 11%, sempre no período de 2000 a 2006. No meio do continente asiático, a alta de depósitos de patentes da Coreia do Sul (+205%) e da China (+124%) é especialmente notável. A OST cita principalmente o progresso dessa última em eletrônica-eletricidade, e o da Índia em química - de materiais e de farmácia - e biotecnologias, e a da Coreia do Sul em instrumentação, principalmente.

No plano mundial, no entanto, a Europa e a União Europeia em especial, com 37,3% dos pedidos de patente, os Estados Unidos com 28,9% e o Japão (17,8%) permanecem grandemente majoritários. Esses três dominam igualmente o sistema de patentes americano, sendo que os Estados Unidos possuem mais da metade dos pedidos depositados (51,3%) à frente do Japão (21,3%) e da União Europeia (14,7%). Mas aqui, como no Velho Continente, sua participação - com exceção da do Japão - diminui, em benefício da China (+261%) e de dez países do sudeste asiático reagrupados na ASEAN. Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host