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06/01/2009

Canberra resiste a acolher os detentos de Guantánamo

Le Monde
Marie-Morgane Le Moël
Do Le Monde
Em Sydney
A Austrália, tradicional aliada dos Estados Unidos, se recusou a receber um grupo de antigos detentos da prisão americana de Guantánamo. O país havia sido contatado, como muitos outros, pela administração Bush para acolher um número indeterminado de antigos prisioneiros, no começo de dezembro de 2008. Cerca de 250 detentos ainda são mantidos na base de Guantánamo em Cuba. "Nós examinamos esses pedidos caso a caso, mas eles não preencheram nossos critérios rigorosos de imigração e de segurança nacional, e foram rejeitados", declarou a vice-primeira-ministra australiana, Julia Gillard, no sábado dia 3 de janeiro.

O governo trabalhista anunciou que Washington já lhe havia pedido para acolher um grupo de detentos no começo de 2008. Durante alguns dias, os australianos acreditaram que Canberra aceitaria esse novo pedido, duramente criticado pela oposição.

A decisão australiana, considerada como "reviravolta" por comentaristas, pode parecer surpreendente vinda desse país próximo dos Estados Unidos. O governo anterior, dirigido pelo conservador John Howard durante onze anos, na verdade havia apoiado a "guerra contra o terror" e o país enviou tropas ao Iraque, onde ele ainda mantém 980 homens.

"O governo Howard apoiou a fundação de Guantánamo Bay. Para isso, poderia-se argumentar que é de responsabilidade moral dos australianos ajudar a fechar a base", julga Hugh White, professor de estudos estratégicos na universidade nacional australiana. A Austrália já conta com dois antigos detentos de Guantánamo, ambos cidadãos australianos. Um deles, David Hicks, condenado por apoio logístico a uma empreitada terrorista em 2007, voltou em 2008 para cumprir sua pena, após meses de protesto público. O segundo, Mamdouh Habib, de origem egípcia, foi libertado em 2005, sem acusação, após três anos de detenção.

A recusa levanta a questão das relações com os Estados Unidos, parceiro essencial de Canberra, que o governo trabalhista cuidou de administrar desde sua chegada ao poder no final de 2007. "É uma decisão que poderia afetar os laços com Washington. Mas talvez Canberra prefira esperar a chegada da administração Obama para dizer sim e fazer um gesto em sua direção", estima Hugh White. O governo explicou que todo novo pedido seria examinado "caso a caso".

Tradução: Lana Lim Lana Lim

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