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09/01/2009

O vírus ebola ainda castiga a República Democrática do Congo

Le Monde
Paul Benkimoun
O vírus ebola reapareceu na República Democrática do Congo (RDC). Foi registrado um total de 42 pessoas suspeitas de terem sido atingidas pela febre hemorrágica causada por esse vírus, na terça-feira 6 de janeiro, na província do Kasai Ocidental, situada no centro do país. Treze dentre elas morreram. Os enfermeiros locais, ajudados pela MSF (Médicos Sem Fronteiras), tentam controlar a epidemia e evitar sua propagação.

Coordenador das operações da MSF para a região dos Grandes Lagos, Luis Encinas volta do Kasai. Ele chegou lá antes do Natal, após a organização humanitária ter recebido um alerta vindo da RDC, acusando 13 doenças que apresentavam sinais evocativos de uma febre ebola, das quais nove eram mortais. Esses casos foram registrados em torno do vilarejo de Kaluamba, exatamente onde se deu uma epidemia causada pelo vírus ebola entre a primavera e o outono de 2007.

"Nós logo tememos pelo pior, mesmo que ainda não tivéssemos confirmação da natureza da doença", conta Encinas. De fato, os sintomas eram compatíveis e as pessoas mortas haviam participado dos cuidados ou dos ritos funerários de pessoas atingidas. "Em uma primeira instância, os exames feitos em Kinshasa nas amostras colhidas pela equipe da Organização Mundial de Saúde (OMS) deram negativo, mas em seguida as análises das mesmas amostras feita no Gabão e na África do Sul deram resultados positivos para o vírus ebola", indica Luis Encinas.

Desde sua chegada, a equipe da MSF, composta de pessoas já com experiência de uma epidemia de febre ebola, se pôs a aplicar medidas para proteger a equipe de enfermeiros locais. "Eles haviam recebido equipamento fora das normas de recomendações da OMS. Eles só possuíam algumas luvas, e nenhuma máscara. Então eles se encontravam em perigo, ressalta o coordenador da MSF. Nós instalamos um pequeno centro de isolamento para as pessoas suspeitas de estarem infectadas, bem como um acompanhamento para aquelas em contato com um doente".

Por darem lugar a muitos contatos com corpos de defuntos, os ritos funerários constituem circunstâncias propícias à transmissão. "No momento do falecimento, o corpo comporta milhões de cópias do vírus", insiste o humanitário. Um considerável trabalho de sensibilização e de mobilização também foi feito para informar a população da conduta a adotar. "Dentro da região existe uma forte presença das igrejas apostólicas, que dão a entender que elas possuem meios de combater a doença...", nota Encinas.

Cadeia de transmissão

Coordenadora de emergências em Bruxelas para a MSF, Rosa Crestani viveu a epidemia anterior de febre ebola no Kasai Ocidental. Segundo ela, a dinâmica atual da epidemia é menos forte do que a de 2007, que fez 187 mortos. "Desta vez, nós evitamos os contatos de risco com a última pessoa morta. Nós acompanhamos as outras pessoas atingidas desde uma semana a dez dias. Um prazo que parece indicar que o vírus não se multiplicou muito fortemente nelas", ela argumenta.

A MSF acaba de enviar um epidemiologista ao local. Seu trabalho consistirá em analisar a dimensão e a evolução da epidemia. Trata-se de entender qual é a cadeia de transmissão: por que uma nova epidemia surgiu ali onde se deu a anterior? Por quais meios as pessoas foram contaminadas? E sobretudo, além do objetivo de controlar a epidemia por precauções rigorosas, tentar interromper a cadeia de transmissão.

Tradução: Lana Lim

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