UOL Notícias Internacional
 

09/01/2009

Queda do preço do petróleo fragiliza Hugo Chávez

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá
Boas novas para os americanos que tremem de frio: a Venezuela continuará a lhes abastecer de combustível para calefação grátis, ou quase. O diretor da Citgo, filial americana da empresa Petróleos de Venezuela (PDVSA), Alejandro Granados, anunciou na quarta-feira dia 7 de janeiro, em Boston, a retomada da entrega de combustível subsidiado com destino aos lares americanos desprovidos. Dois dias antes, a Citizens Energy Corporation, que garante a distribuição desse combustível a preço baixo, havia anunciado a suspensão do programa.

"A Citgo informou recentemente que a queda dos preços do petróleo e a crise econômica mundial a forçaram a rever seus programas sociais, incluindo a entrega de combustível de calefação a centenas de milhares de lares americanos de baixa renda", explicou o presidente da Citizens Energy, o antigo deputado democrata Joseph Kennedy.

Instaurado em 2005, após a passagem destruidora do furacão Katrina, esse programa de "auxílio humanitário" era a zombaria do presidente venezuelano Hugo Chávez ao seu homólogo americano George Bush. Segundo a Citizens Energy, ele beneficiou em 2008 mais de 200 mil famílias. E custou à Venezuela mais de US$ 100 milhões por ano.

O barril em torno de 25 euros

Kennedy relatou que Chávez "interveio diretamente" para manter suas entregas. O filho do falecido senador Robert Kennedy vê ali "uma mensagem clara e direta do presidente Chávez e de seu desejo de reforçar as relações entre seu país e os Estados Unidos, agora que um novo governo se prepara para assumir". Granados destacou o "grande esforço" que a manutenção do programa significa para a Citgo, uma vez que a crise arrebata a plena força a indústria petrolífera.

Quinto maior exportador mundial do produto não-refinado, a Venezuela acusa de fato o golpe. O petróleo venezuelano que, em julho de 2008, exibia-se a US$ 130 o barril, é vendido hoje a US$ 35 (quase 25 euros), após ter degringolado para US$ 27 no final de 2008. "O preço do petróleo aumentará e deve se estabilizar", garantiu na segunda-feira Chávez, que confia na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e na sua aliada russa para retomar o prumo. Com reservas avaliadas entre US$ 60 a 70 milhões, a Venezuela dispõe de uma margem de manobra.

De qualquer forma, a queda do câmbio do petróleo ameaça a longo prazo os programas sociais instituídos por Chávez e sua ambiciosa diplomacia. Dez anos de "revolução bolivarista" fracassaram em reduzir a dependência em relação ao petróleo. O produto cru representa a metade das receitas do Estado e mais de 90% das exportações. É ele que financia os médicos cubanos, as universidades populares, os supermercados subsidiados e os programas de cooperação com Cuba e a Bolívia.

Para seus críticos, Chávez garante que "a revolução prosseguirá sua marcha mesmo se o barril chegar a custar zero dólar". Não impede que a hora seja de economias. O governo venezuelano acaba de apertar ainda mais o controle de câmbios, reduzindo pela metade o montante anual das divisas autorizadas aos particulares. Os viajantes venezuelanos, que poderiam sacar até US$ 5 mil por ano com seus cartões de crédito, não poderão obter mais do que US$ 2,5 mil.

Os observadores julgam, assim mesmo, que o governo deveria se poupar de medidas mais drásticas, afim de não comprometer os resultados do próximo referendo constitucional, que poderia permitir ao chefe de Estado de se representar indefinidamente.

Tradução: Lana Lim

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