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13/01/2009

"Miryam", guerrilheira arrependida, busca seus filhos "confiscados" pelas Farc

Le Monde
Marie Deltas
Em Bogotá
Zenaida Rueda, 37 anos, quer reencontrar seus filhos e voltar à escola, o sonho de todo guerrilheiro desertor. No dia 2 de janeiro, ela deixou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, extrema esquerda), na companhia de um refém de quem ela tinha a guarda. A quantia da recompensa, que lhe será paga no contexto da política de incitação à deserção, está sendo estudada, detalhou o ministro da defesa colombiano, Juan Manuel Santos.

Zenaida, dona de um belo rosto e de voz calma, passou metade de sua vida na organização. "Na época, a guerrilha queria que cada família camponesa desse um filho", ela explicou à rádio. Sua irmã mais velha tinha um filho, seus irmãos eram jovens demais. Então é ela que se torna clandestina, aparentemente sem convicção.

Sob a alcunha de "Miryam", ela aprendeu a manejar o fuzil metralhadora, se apaixonou, engravidou e deu à luz um menino. "Eu tive sorte, o comandante do grupo onde eu me encontrava não me obrigou a abortar, mas tive de deixar meu filho com uma família de lá", conta ela. "Então você o abandonou?", pergunta a jornalista. "Na guerrilha, não é como na vida civil. As mulheres não podem criar seus filhos. É a regra. Evidentemente é difícil de entender - todos os animais cuidam de seus filhotes - , mas não se tem escolha", responde Zenaida. Ela descobriu um dia que o pai de seu primeiro filho havia sido fuzilado por seus companheiros de armas, por tentativa de deserção.

Em 2002, Miryam engravidou novamente. Ela reencontrou Gustavo em um "hospital" da guerrilha, no fundo da selva. Ela sofria de malária, e ele tinha sido ferido em combate. Seu bebê, Diego Andres, também foi confiado a uma família local.

Desiludida
Comerciante próspero, Juan Fernando Samudio foi sequestrado em maio de 2007, no sul de Bogotá. Parece-lhe que sua família pagou várias vezes as somas exigidas por sua libertação pelas FARC, mas sem sucesso. Na primavera de 2008, Miryam foi designada para vigiá-lo. Juan Fernando a encontrou desiludida e cansada. A confiança se estabeleceu aos poucos.

Pelo rádio, eles ouvem sobre a proeza de um guerrilheiro que, em dezembro de 2008, partiu para viver em Paris após ter desertado com um refém detento havia oito anos. Miryam e Juan Fernando planejam juntos sua fuga. Conhecedora da região, ela espera "não estar muito longe" de um posto militar. Serão necessárias dez horas de caminhada para chegar lá.

As autoridades querem encontrar os filhos de Zenaida, hoje com 17 e 5 anos de idade. Segundo o jornal El Tiempo, Gustavo se manifestou no sábado, dia 10 de janeiro. Inválido por causa de seu ferimento, e por isso autorizado a deixar a guerrilha em 2003, ele teria confiado Diego Andres a uma tia. Uma vez que ela recupere seus filhos, Zenaida não quer ir para a França. Ela preferiria o Panamá. Juan Fernando lhe contou que "lá se fala espanhol como na Colômbia, que se come quase o mesmo que na Colômbia e que existe o mar".

Tradução: Lana Lim

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