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14/01/2009

A Venezuela perde o controle da inflação

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá
É um recorde sem o qual o presidente venezuelano, Hugo Chávez, poderia passar. Com um índice de inflação de 30,9% em 2008, a Venezuela lidera os países latino-americanos pelo terceiro ano consecutivo, segundo os números divulgados na quinta-feira 8 de janeiro, pelo Banco Central.

As esperanças suscitadas pelo "bolívar forte", que entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2008, não duraram muito. O governo esperava um "efeito psicológico" dessa nova moeda, obtida ao se tirar três zeros de um bolívar que há vinte anos não parava de se depreciar. "Um bolívar forte, uma economia forte, um país forte", preconizava o slogan oficial.

Por falta de medidas de acompanhamento, a reconversão monetária não permitiu frear a espiral inflacionária que a Venezuela conhece desde 2005. E o mercado negro de divisas - surgido após a instauração do controle de câmbio em 2003 - anda melhor do que nunca. O dólar, que vale oficialmente 2,15 bolívares fortes, é trocado por mais de 6.

Segundo relatório do Banco Central, os alimentos, que constituem o principal das despesas das famílias pobres, aumentaram mais do que o resto. Nos setores populares, a inflação foi então de 35,7%, detalha o banco, uma injustiça da qual a Venezuela não tem o privilégio.

Escassez de carne e leite
O índice de inflação está em alta em toda a América Latina. A disparada dos preços dos alimentos e do petróleo no primeiro semestre tem muito a ver com isso. Com exceção do Brasil (com uma inflação de 5,9%), nenhum país da região conseguiu respeitar o teto que fora estipulado. Na Colômbia, a alta dos preços atingiu 7,6%, no Equador 8,8%, e na Bolívia 11%. Mas esses números ficam bem para trás dos da Venezuela.

"A inflação é, em parte, consequência do dinamismo da economia e do consumo", garante em Caracas um funcionário de alto escalão que se pretende otimista, ao lembrar que o crescimento - positivo pelo quinto ano consecutivo - foi de 4,6% na Venezuela.

Dopadas pelas receitas petroleiras, que representam a metade do orçamento do Estado e 94% das exportações do país, as despesas públicas não pararam de aumentar. Os programas sociais da "revolução bolivariana" estimularam a demanda dos setores desfavorecidos, mas a oferta nem sempre acompanhou.

De fato, a insegurança jurídica e as ameaças de expropriações amedrontaram os investidores privados. O controle dos preços instaurado sobre os produtos de primeira necessidade favoreceu o surgimento de escassez esporádica de carne, de leite ou de açúcar. Somente as importações maciças de produtos alimentícios - comprados a um alto preço - permitiram suprir as necessidades.

A baixa do preço do petróleo - se ela durar - forçará o governo a diminuir essas importações, correndo o risco de provocar nova escassez, nota Domingo Maza Zavala, ex-diretor do Banco Central. Ele teme que "a pressão inflacionária seja reforçada por ela", ainda que o crescimento acabe sendo ameaçado.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), a Venezuela deverá ter um índice de crescimento de 3% em 2009. Os mais pessimistas dos economistas afirmam que ele não passará de 1%.

Tradução: Lana Lim

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