UOL Notícias Internacional
 

17/01/2009

A Índia e o Paquistão reúnem tropas sobre seu território comum

Le Monde
Frédéric Bobin
Em Nova Délhi
Na mistura de ameaças, ruídos de botas e de gestos de apaziguamento, é difícil ver claramente no quadro indo-paquistanês brutalmente redesenhado pelo ataque terrorista sobre Mumbai, no final de novembro 2008. A relação entre os dois Estados rivais, nascidos da divisão sangrenta do Império Britânico das Índias, entrou em uma profunda crise sem que se saiba, por ora, se o risco de um novo confronto militar -já houve quatro (1947, 1965, 1971, 1999) - deve ser levado a sério.

Devemos nos preocupar, por exemplo, com o anúncio de reforços das tropas paquistanesas na fronteira com a Índia? Anunciados no dia 26 de dezembro por fonte militar paquistanesa em Islamabad, eles são bem reais. Os indianos confirmam. "Eles chegaram na fronteira oriental com a Índia", garantiu, na quarta-feira 14 de janeiro em Nova Délhi, o general Deepak Kapour, chefe das Forças Armadas indianas.

Desde o fim de dezembro, os serviços de informação indianos perceberam movimentação em torno do 4º corpo do exército, baseado em Lahore, sede do Punjab paquistanês, situado a 25 km do posto-fronteira de Attari. Duas de suas divisões (a 10ª e a 11ª) se aproximaram a uma dezena de quilômetros da fronteira. Os indianos constataram também que as unidades paquistanesas reforçavam seus bunkers construídos ao longo dos canais de irrigação alimentados pelos afluentes do rio Indo. De sua parte, o exército indiano despachou em direção à fronteira dois corpos de exército (o 2º e o 10º), garantindo que se trata de um exercício.

Essa febre preocupa muito os americanos. Pois os reforços paquistaneses são lançados entre as tropas espalhadas ao longo de outra fronteira - a ocidental - , que o Paquistão e o Afeganistão dividem. No centro dessas zonas tribais de patchuns recalcitrantes, espera-se que as unidades paquistanesas conduzam o combate contra os grupos talibãs e seus aliados da Al-Qaeda.

Luta contra o jihadismo
A transferência de uma fronteira para outra enfraquece fatalmente a luta contra uma das fontes do jihadismo internacional. A 14ª divisão - pertencente ao 2o corpo - deixa a zona tribal de Bajaur, onde violentos combates se desenrolam desde o verão de 2008. Essa divisão estava envolvida nessas operações.

Segundo o jornal paquistanês The News, unidades também estão deixando o Waziristão do Norte, de onde as operações haviam sido lançadas em direção ao Waziristão do Sul contra o feudo de Baitullah Mehsud, chefe do movimento Tehrik-e-Taliban-Pakistan (TPP), que reúne todos os grupos talibãs no Paquistão. Retiradas idênticas são observadas na zona tribal de Mohmand.

Quase 75 mil homens foram espalhados sobre a fronteira afegã. Ignora-se em que proporção a reorganização atual vai esvaziar esse mecanismo. Segundo alguns especialistas, ela poderia cortar os efetivos em dois terços. Claro, o impacto não seria tão radical, pois os combates contra os talibãs eram mais conduzidos pelas forças paramilitares Frontier Corps do que pelas unidades do exército regular que, em geral, permanecem em suas casernas. Mas o efeito psicológico sobre o moral dos insurgentes talibãs poderia ser considerável.

A diplomacia americana foi mobilizada para evitar tal desvio, altamente prejudicial para a estratégia antiterrorista de Washington. Em Nova Délhi e em Islamabad, os enviados americanos se revezaram para abaixar a tensão. A razão do relativo apaziguamento é observada nesses últimos dias sobre o front diplomático? O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, dirigiu ao presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e ao seu primeiro-ministro, Youssouf Gilaini, seus votos para o ano novo, que ele deseja posicionado sob o signo da "paz e da prosperidade".

Além disso, os indianos consentiram, na quinta-feira, um gesto significativo ao parar de exigir que Islamabad lhes entregue os autores do ataque de Mumbai. O ministro das relações exteriores indiano, Pranab Mukherjee, declarou que Nova Délhi se contentaria com um processo no Paquistão, com a condição de que seja "justo" e "transparente". É um bloqueio à retomada do diálogo que acaba de saltar.

Tradução: Lana Lim

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