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17/01/2009

No Zimbábue, a epidemia de cólera atinge 90% do país

Le Monde
Em Johanesburgo
Mais uma má notícia para os habitantes do Zimbábue: a epidemia de cólera cresce e mata mais do que o previsto. Só na quarta-feira, dia 14 de janeiro, 104 pessoas morreram da doença. Nesse mesmo dia, o cólera havia matado oficialmente 2.201 zimbabuanos desde seu aparecimento, em agosto de 2008, e afetado quase 42 mil pessoas. "Todo mundo esperava que essa epidemia estivesse sob controle mais rapidamente, admite Françoise Le Goff, diretora da Cruz Vermelha na África meridional. Mas hoje o pior cenário, que esperava 60 mil casos no total, provavelmente estará obsoleto".

Diversas razões explicam esse agravamento. A começar pelo clima. "Estamos em plena estação de chuvas, e é uma das mais abundantes dos últimos 25 anos", calcula Peter Mutoredzanwa, representante da ONG Oxfam no Zimbábue. Esperam-se inundações para os próximos dias. Elas podem trazer excrementos humanos, já que os habitantes não possuem instalações sanitárias, e despejar água suja, responsável pelo cólera, nos esgotos e poços não protegidos utilizados pela população com falta de água potável. Em certas regiões, mais de três quartos das fontes de água já estão contaminadas.

Resíduos contaminados
A epidemia também se estendeu geograficamente. Quase 90% dos 62 distritos do país já foram atingidos, segundo o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA). "As férias de Natal permitiram que muitos habitantes do Zimbábue fossem visitar suas famílias, lembra José Bergua, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Esses deslocamentos facilitaram a difusão da doença". Uma vez que não há mais coleta de lixo em Harare, os habitantes da capital devem abandonar seus dejetos, às vezes contaminados, fora da cidade.

Os vilarejos mais afastados são atingidos, mas, por causa da crise econômica, os doentes nem sempre têm os meios de se deslocarem até um dos 172 centros de tratamento do cólera. Muitos morrem em casa e não constam nos números oficiais. Segundo a Cruz Vermelha, 56% das vítimas do cólera registradas morrem antes de ter tido acesso aos cuidados. As organizações humanitárias reagiram enviando equipes ao local.

Enfim, o sistema de saúde do Zimbábue continua a ruir. Um relatório da ONG americana Médicos pelos Direitos Humanos (PHR) denunciou o custo exorbitante das consultas nas clínicas particulares, ao passo que os grandes hospitais públicos agora estão fechados, por falta de equipamentos e de pessoal, em greve há três meses por aumento de salário. As negociações entre os médicos e o governo ainda não tiveram uma conclusão.

A propagação da epidemia só deverá diminuir no fim da estação chuvosa, em março. Em campo, o auxílio humanitário ganha em eficácia, e as ONG podem, afinal, contar com a ajuda completa das autoridades. Caminha-se, assim, em direção a um aumento do número de casos registrados, em razão de uma melhor detecção, e em direção a uma diminuição de mortes, graças a mais tratamentos realizados antecipadamente.

Casos registrados nos países adjacentes
Quinze pessoas morreram de cólera na África do Sul, onde mais de 2 mil casos foram registrados desde o início da epidemia no vizinho Zimbábue, indicou, na quarta-feira 14 de janeiro, o ministro sul-africano da saúde, que detalha que "a maioria das mortes se deram na província do Limpopo", que faz fronteira com o Zimbábue, no nordeste do país. Também foram registrados casos de cólera em Botsuana, no Moçambique e em Zâmbia, todos vizinhos do Zimbábue.

No entanto, "o que acontece em Zâmbia não tem nenhuma ligação com a situação no Zimbábue", afirmou um porta-voz do governo zambiano. Nesse país, onde 28 pessoas morreram de cólera desde setembro de 2008, a doença castiga em estado endêmico. É o mesmo caso da Nigéria, no norte do continente africano, onde uma epidemia de cólera provocou, há duas semanas, a morte de 27 crianças no estado de Ebonyi (sudeste), relata a imprensa local.

Tradução: Lana Lim

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