UOL Notícias Internacional
 

21/01/2009

A "serpente marinha" da sucessão de Kim Jong-il

Le Monde
Phillipe Pons
Em Tóquio
Tendo como pano de fundo as incertezas sobre o estado de saúde do dirigente Kim Jong-il, o anúncio, no dia 15 de janeiro, pela agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando uma fonte anônima dos serviços de informação sul-coreanos, que este último teria designado seu sucessor na pessoa de seu terceiro filho, Kim Jong-un, alimenta as especulações. Kim Jong-il estaria em convalescença de um acidente vascular cerebral ocorrido em agosto de 2008. Ainda que o regime tenha divulgado fotografias do "Querido Líder" fazendo visitas em uma dúzia de lugares - mas nunca imagens -, o anúncio da designação de um sucessor inesperado em razão de sua idade (25 anos) mais confunde do que esclarece o cenário.

Segundo o ministério da unificação sul-coreano, nada indica a existência de uma vaga no poder em Pyongyang. A nova escalada verbal do regime, que ameaçou Seul no fim da semana passada, a voltar a uma "situação de confronto" se o governo do presidente Lee Myung-bak perseverar em sua política "hostil", parece confirmar isso.

Da mesma forma que o anúncio, no dia 17 de janeiro, pelo regime norte-coreano, de sua intenção de conservar suas armas nucleares mesmo após uma normalização das relações com os Estados Unidos. Uma declaração feita pelo ministério da defesa que poderia ser uma mensagem para a administração Obama lembrando que, para Pyongyang, a solução da questão nuclear deve se inscrever em um acordo global de desarmamento da península. Parece improvável que o regime suba assim o tom sem Kim Jong-il no comando.

Dentro de tal contexto, a designação imprevista de um sucessor por uma diretiva que teria sido dirigida, segundo as fontes citadas pela Yonhap, em torno de 8 de janeiro, para o departamento da organização e da orientação do Partido Trabalhista pelo próprio Kim Jong-il, suscita a perplexidade dos especialistas em Coreia do Norte em Seul.

A juventude de Kim Jong-un, sua inexperiência e uma saúde frágil tampouco o destinam a tomar as rédeas do país. Ainda que o rumor queira que ele seja o preferido de Kim Jong-il - segundo o testemunho de seu cozinheiro japonês, que voltou para o Arquipélago em 2001, e autor de diversos livros - , ele não parecia ser o mais bem posicionado de seus três filhos em uma eventual sucessão.

Será que a publicação da informação da Yonhap na primeira página do China Daily (jornal em língua inglesa) dá a ela alguma credibilidade? No mesmo dia, o jornal japonês Yomiuri anunciava, citando por sua vez os serviços de informação americanos, que seria o filho mais velho de Kim Jong-il, Kim Jong-nam (38 anos), que seria chamado para lhe suceder...

Uma segunda sucessão dinástica na RPDC, após aquela de Kim Il-sung (morto em 1994) por Kim Jong-il, é um cenário que os colunistas adoram. É uma hipótese que não se deve descartar. Mas os especialistas em Coreia do Norte destacam as diferenças que uma tal sucessão apresentaria, em relação à de Kim Jong-il ao seu pai.

Nesse caso, o processo levou mais de vinte anos, ao longo dos quais o herdeiro escalou os degraus do partido e do exército. Hoje, nada indica que uma nova sucessão dinástica tenha sido engatada. Se um dos três filhos de Kim Jong-il fosse, no entanto, chamado para assumir funções oficiais, ele não passaria de uma figura simbólica da continuidade da "linhagem" dos Kim, mas sem o poder que tiveram seu pai ou seu avô, que voltaria a uma direção colegial. A renovação, em março, da Assembleia Suprema do Povo, poderia dar uma indicação sobre o eventual papel futuro de Kim Jong-un ou de um dos dois outros filhos de Kim Jong-il.

Tradução: Lana Lim

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