UOL Notícias Internacional
 

24/01/2009

Nova aliança Congo-Ruanda marca o fim de uma guerra de 12 anos

Le Monde
Jean-Philippe Rémy
Em Nairóbi
Ele fez tremer o exército do Congo e sonhou para si mesmo um destino de chefe de Estado. Laurent Nkunda, o chefe rebelde congolês, foi detido pelas autoridades de Ruanda e colocado em prisão domiciliar na cidade fronteiriça de Gisenyi na última quinta-feira (22) à noite. Nas semanas anteriores, a maioria de seus homens já havia desertado a pedido do poder ruandês, que até então dera apoio indefectível a sua rebelião tutsi, o Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP). A fuga de Nkunda é um fato inédito. O poder em Ruanda apoiou constantemente uma rebelião "amiga" na República Democrática do Congo desde que se iniciou o ciclo de guerras do Congo, em 1996. A última dessas rebeliões acaba de ser destruída, reversão que se explica por uma abalo das alianças regionais.

As forças ruandesas, que travaram duas guerras mortíferas e destrutivas no Congo (antigo Zaire), entraram lá pela primeira vez a convite do poder de Kinshasa na terça-feira. Juntos, os exércitos do Congo e de Ruanda devem atacar as bases de retaguarda dos rebeldes hutus ruandeses instalados no leste do Congo, as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR). Há mais de dez anos Kigali insistia para que esses rebeldes, que ameaçam diretamente Ruanda, fossem neutralizados. Durante anos ele se beneficiaram do apoio direto de Kinshasa ou de sua complacência. Os rebeldes hutus usaram o uniforme congolês nos momentos em que o exército nacional vacilava. Seus combatentes gozam de uma reputação de ardor no combate, fundada pelos mais velhos deles, que participaram do genocídio ruandês de 1994.

Ameaças de guerra regional
Durante anos nada mudou. Os rebeldes hutus eram úteis demais ao Congo para ser expulsos. Os rebeldes tutsis eram úteis demais para sua comunidade e a influência ruandesa no leste para ser presos por seus padrinhos. A população suportou um martírio devido aos excessos de todos esses grupos armados.

Para terminar com esse bloqueio foi preciso a intervenção de Laurent Nkunda, no final de 2008, ameaçando provocar uma guerra regional. Em Kigali, assim como em Kinshasa, foram avaliados os riscos dessa conflagração e se decidiu uma inversão de alianças destinada a salvar ao mesmo tempo a reputação e a estabilidade das duas capitais. Um inimigo comum foi encontrado para selar essa união de circunstância, as FDLR. Apesar de seu discurso "limpo", antigenocídio, os chefes militares hutus no leste do Congo esperam ainda voltar a Ruanda de armas na mão e "terminar o trabalho" de extermínio. Kigali recusa qualquer negociação com esse movimento.

Com fortes apoios internacionais (os EUA fornecem escutas eletrônicas destinadas a localizar uma lista de 20 responsáveis das FDLR considerados os mais extremistas), Ruanda e o Congo montaram uma operação conjunta contra os rebeldes hutus, que começou na terça-feira e deverá ter também a vantagem de ser salutar por sua reputação.

Em dezembro, um relatório da ONU evidenciou o apoio de Ruanda à rebelião de Nkunda, enquanto mostrava a extensão do tráfico de recursos minerais do Congo operado pelo conjunto dos grupos armados, a começar pelas forças governamentais congolesas. Kigali rejeitou com ênfase as conclusões desse relatório. Mas dois financiadores dos mais fiéis de Ruanda consideraram indispensável interromper sua ajuda orçamentária direta, enquanto um terceiro aliado de Kigali, a Grã-Bretanha, afirmou ter dúvidas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host