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27/01/2009

Prisão de Abu Ghraib busca uma segunda chance

Le Monde
Patrice Claude Enviado especial a Bagdá
Inundado pela afluência de detentos, o governo iraquiano anunciou, no sábado (dia 24), que ele reabriria em meados de fevereiro a tristemente célebre prisão de Abu Ghraib. Construído na saída oeste de Bagdá sobre mais de 110 hectares, o estabelecimento penitenciário, onde uma média de 50 mil homens foram presos, talvez executados e muitas vezes torturados sob a ditadura de Saddam Hussein, foi fechado em 2006. E isso, após a revelação das torturas e humilhações infligidas aos detentos pelos guardas e interrogadores do exército e dos serviços especiais americanos.

Transformado com fundos americanos, o estabelecimento, cercado por altos muros e torres de observação, abrigará uma espécie de "museu dos horrores" dedicado aos castigos infligidos aos prisioneiros pelo antigo regime que caiu. Com uma capacidade limitada a 15 mil leitos, a prisão terá um serviço médico, "em processo de acabamento", explicou Busho Ibrahim, vice-ministro da justiça. E assim terá fim a sinistra novela de Abu Ghraib, ao longo da qual, após a publicação em 2004 das fotos de tortura que custaram a carreira de onze militares americanos de patentes inferiores, o governo iraquiano havia anunciado a demolição do estabelecimento, e em seguida sua transformação em museu.

Tortura quase sistemática
Pelo fato de que a denominação do centro carcerário "traz lembranças ruins demais para o coração dos iraquianos", indicou o ministro, ele será renomeado Prisão Central de Bagdá. Dar um novo nome ao subúrbio de Abu Ghraib não está previsto. "Nossas prisões estão cheias demais", explicou Busho para justificar a reabertura do complexo. De fato, com mais de 35 mil homens amontoados em seus estabelecimentos - em que "algumas celas de 50m2 comportam às vezes mais de 120 pessoas", revelou, em dezembro de 2008, um relatório da ONU que denunciava a tortura praticada -, o Iraque não sabe mais onde alojar seus prisioneiros. Seis penitenciárias estão em construção sob financiamento americano em todo o país. Mas as prisões se enchem mais rápido do que conseguem se esvaziar.

Sob os termos da lei de anistia votada em fevereiro para ativar a "reconciliação" entre as comunidades, o Alto Conselho Judiciário iraquiano certamente ordenou a libertação de aproximadamente um quarto da população carcerária. Mas, como notou em dezembro um relatório da ONG Human Rights International, as autoridades iraquianas - e americanas - "nem sempre respeitam" as decisões dessa instituição. Os americanos que, segundo o acordo de segurança assinado no fim de dezembro com Bagdá, devem transferir seus 15 mil detentos não julgados no Iraque, anunciaram que eles obedeceriam a partir de fevereiro, ao ritmo de 1.500 casos "revisados" a cada mês.

Tradução: Lana Lim

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