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30/01/2009

Em Carajás, o Eldorado minerador não faz a alegria de todos

Le Monde
Laurence Caramel Enviado especial a Parauapebas, Pará
A floresta nacional de Carajás, no sul do Estado do Pará que sedia o Fórum Social Mundial, é uma espécie de paisagem com fundo falso: extraordinária e assustadora ao mesmo tempo. No coração desse pedaço da Amazônia aparentemente intacto, longe dos olhares, a gigante Vale explora a maior mina de ferro a céu aberto do mundo. Aqui existem reservas de ferro suficientes para um século, mas também de ouro, de cobre de manganês... "Nós escavamos somente 3% de uma floresta que se estende por 1,2 milhão de hectares", explica a multinacional que construiu perto das pedreiras uma cidade para 5 mil desses assalariados, cercada por uma cerca alta de arame para manter à distância os intrusos e também os felinos selvagens.

Esse eldorado minerador não faz a alegria de todos. "O discurso oficial é dizer que isso leva ao desenvolvimento, mas a realidade é outra", afirma Frederico Drummond Martins, o chefe da Floresta Nacional do Carajás. "O Estado do Pará acumula os grandes projetos que causam os danos sociais e ambientais. As coisas poderiam ser diferentes se o Estado fosse capaz de exigir, como compensação pelos bilhões de dólares que ganham as companhias mineradoras, que leis que realmente protegessem o meio ambiente fossem respeitadas, e que infraestruturas locais fossem financiadas". Essa também é a opinião de Darci Lermen, o prefeito de Parauapebas, a que está ligada a mina de Carajás. Essa cidade de 120 mil habitantes não existia vinte anos atrás. Ela se tornou a 8ª comunidade mais rica do Brasil.

Paisagem desolada
"Todos pensam que nós somos ricos, mas a mina não nos traz quase nada e devemos receber os milhares de migrantes que chegam com a esperança de encontrar trabalho. A população aumenta 18% por ano. É preciso construir escolas, centros de saúde", ele explica.

Os que se decepcionam com a Vale costumam se voltar para a agricultura. O Pará é o Estado que mais tem assentamentos, esses pedaços de terra cedidos pelo governo aos camponeses sem terra. "As famílias conseguem seus terrenos graças às ocupações que efetuam ao entrar no MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)", informa o professor Fernando Michelotti, da Universidade Federal do Pará. Um combate sangrento: 891 pessoas foram assassinadas nos últimos trinta anos. As terras conquistadas e convertidas para a pequena agricultura familiar muitas vezes são pastos pertencentes a grandes proprietários. Pois, fora da floresta de Carajás, as árvores desapareceram há muito tempo entre Parauapebas e Marabá, o polo siderúrgico situado a uma centena de quilômetros.

Nessa parte da Amazônia, o desmatamento avança. Mais especificamente para alimentar com carvão vegetal os altos-fornos da região, e para abrir pastagens para um rebanho bovino que não para de crescer. As plantações de eucaliptos que começam a florescer nessa paisagem desolada são apresentadas pelo governo como uma solução para acompanhar o desenvolvimento industrial da região. Mas os ecologistas já apontam os riscos de esgotamento dos solos ligados a essa árvore que, para crescer muito rápido, precisa de muita água.

Tradução: Lana Lim

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