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31/01/2009

China torna-se capital mundial de fósseis de dinossauros

Le Monde
Brice Pedroletti Enviado especial a Zhucheng
Zhucheng, uma pequena cidade industrial da província de Shandong, tem uma especialidade: os "yazuilong", ou dinossauros bico-de-pato, por causa da parte dianteira de seu crânio, achatada e ampliada em forma de bico. As primeiras descobertas datam da década de 1960. Em 1989 foi desenterrado o esqueleto fossilizado de um hadrossaurídeo, que, uma vez recomposto, revelou ser o maior de sua categoria: 16,6 metros de comprimento por 9,1 de altura. Batizado de Zhuchengosaurus maximus, ele reina no museu dos dinossauros que a cidade construiu em 1997 para abrigar seus tesouros e tentar atrair os turistas que no verão invadem Qingdao, a mais célebre estação balneária da China, a uma hora de estrada.

Mas como novas descobertas no imenso território chinês chegam regularmente ao noticiário, e as exposições de esqueletos de dinossauros da China viajam pelos museus do mundo inteiro (EUA, Reino Unido e até Itália nos últimos anos), Zhucheng não estava mais na moda. No outono de 2008, a sorte sorriu novamente para a capital do dinossauro: foram descobertas novas jazidas de ossos em uma quinzena de sítios, um dos quais se estende por 300 metros de comprimento e 10 de largura.

"Há chances de que seja a maior jazida fóssil do mundo", explica Zhao Xijin, o paleontologista que supervisiona as pesquisas. Em seis meses, cerca de 3 mil fósseis foram encontrados ali e 2.600 em um bolsão adjacente. Esse pequeno senhor de 73 anos, aposentado do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados da Academia de Ciências de Pequim, vasculhou a China em busca de fósseis durante 40 anos depois de voltar da Universidade Lomonossov em Moscou em 1962.

Ele efetuou escavações em Xinjiang, no Tibete, onde identificou um novo tipo de saurópode, o Megacervixosaurus, ou "lagarto de pescoço grosso"; no Liaoning, onde um de seus ex-alunos trabalha em jazidas de ossos de dinossauros emplumados; ou em Heilongjiang, Yunnan e Henan. O professor Zhao batizou uma quinzena de gêneros de dinossauros. Ele é originário de Yantai, uma cidade muito próxima de Zhucheng, por isso a direção das escavações lhe foi entregue.

Transportados em protetores de gesso, os fósseis são depositados em imensos armazéns de antigas usinas agrícolas na proximidade. Aqueles cujos ossos já encontraram localização no esqueleto repousam sobre montículos de terra e já desenham no cimento as formas achatadas de três dinossauros bico-de-pato, com os imponentes fêmures das patas traseiras. O maior dos sáurios, estima Zhao Xijin, tem cerca de 20 metros de comprimento e corresponde a um animal de mais de 2 metros de altura.

Herbívoros, evoluindo em águas pouco profundas e pondo seus ovos nas margens de lagos ou rios, os hadrossaurídeos viveram no Cretáceo superior, pouco antes do desaparecimento dos dinossauros, há 65 milhões de anos. A quantidade de fósseis encontrados nessa região do Shandong seria explicada por enchentes que arrastaram os cadáveres para as planícies pantanosas.

Novos elementos poderiam, segundo Zhao, contribuir para as pesquisas sobre a extinção dos dinossauros entre o Cretáceo e o Terciário, seja devido a erupções vulcânicas intensas que modificaram o clima, seja pelo impacto de um asteróide ou evoluções biológicas consequentes. Um osso de bacia desenterrado em Zhucheng apresenta uma protuberância que segundo Zhao é um tumor: as enchentes poderiam ter provocado a doença nos ossos, ele propõe.

Outras ossadas foram encontradas: um dente de tiranossauro, o predador dos hadrossaurídeos, e as cervicais de um ceratopsídeo, que nunca havia sido localizado na China. Quatro outros esqueletos fossilizados pertencem a espécies ainda não identificadas. Os fósseis de Zhucheng envolvem porém, para os paleontólogos, uma fauna conhecida. Por outro lado, uma série de descobertas chinesas recentes permitiu refinar as hipóteses em torno da evolução do dinossauro-ave, que já havia tido várias propostas com os diversos fósseis de dinossauros emplumados encontrados em Lianoning nos anos 1990-2000: todo tipo de pergunta permanece quanto à transição entre dinossauros e aves, ou ao aparecimento do voo e o das plumas, não obrigatoriamente concomitantes.

Assim, a descoberta na Mongólia interior do Gigantoraptor erlianensis, que foi objeto em 2008 de um artigo na revista "Nature" assinado pela equipe do paleontologista chinês Xing Xu, volta a pôr em questão a teoria de que os dinossauros carnívoros teriam ficado cada vez menores antes de se tornar aves. Essa criatura de 8 metros de comprimento e 1,4 tonelada, que viveu há 85 milhões de anos, possuía um bico, e seu corpo deveria ser coberto de penas, a julgar por suas semelhanças com os outros espécimes da família dos oviraptorídeos, os dinossauros pré-aves. Os que conhecemos raramente ultrapassam os 40 quilos.

Seja qual for a concorrência, a prefeitura de Zhucheng não se deixará abater em termos de "dinosaur business": o acesso às colinas de sedimentos siliciosos onde se encontra "a maior jazida do mundo" foi arranjado e imensos cartazes receberão os futuros visitantes. "Exposição dos maiores fósseis de dinossauros do mundo", pode-se ler.

A abertura do novo parque de dinossauros chineses de Zhucheng deverá ocorrer na primavera. Os turistas seguirão um caminho que passa sobre as escavações. O parque também será dotado de um centro de pesquisas. "Refletimos sobre a melhor maneira de divulgar", diz Wang Kebai, o chefe do departamento de turismo da cidade, antes de se informar sobre como inscrever o Zhuchengosaurus maximus no livro dos recordes. "Pensamos em gastar 1,5 bilhão de iuanes (€ 150 milhões) no parque e encontrar investidores estrangeiros", ele continua.

Tudo para recolocar Zhucheng no centro do turismo paleontológico durante mais alguns anos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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