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03/02/2009

Os turistas de Medellín adoram o Pablo Escobar Tour

Le Monde
Marie Delcas
Em Medellín
Dois jovens americanos contemplam a construção deteriorada, com janelas fechadas, que ainda mantém o número 45-94. "Em 2 de dezembro de 1993, a polícia colombiana conseguiu interceptar uma chamada telefônica, localizando Pablo Escobar. A casa foi imediatamente cercada, e os helicópteros americanos sobrevoavam a cidade. Escobar tenta escapar pelo teto. Foi lá que ele foi abatido", conta Hector Jimenez, guia turístico em Medellín.

Nessa cidade que viu nascer - e morrer - o mais famoso dos traficantes de cocaína, diz a lenda que o número 45-94 traz sorte. "Parece que todos querem jogá-los na loto", explica Hector. Amante de esportes radicais, esse jovem advogado de 33 anos montou uma pequena agência de turismo há dois anos.

Meio por acaso, ele teve a ideia de oferecer uma visita guiada sobre a vida de Pablo Escobar. "Um turista canadense que tinha vindo fazer parapente e rafting na região me encheu de perguntas sobre 'Pablo'", explica Hector. "Eu lhe propus um passeio pela cidade e lhe contei tudo que sabia sobre o personagem, sinistro, mas muito fascinante. Você sabia que Escobar foi um dos sete homens mais ricos do mundo?". O canadense ficou extasiado.

Desde então, o Pablo Escobar City Tour faz um sucesso inegável. Os dois americanos, visitantes por um dia, sobem no 4 x 4 da agência Medellín Experience. Eles vão a Envigado, o subúrbio onde o barão da droga cresceu. A sua casa de infância desapareceu sob o concreto, mas a escola em que sua mãe lecionava continua lá.

O 4 x 4 desliza em direção ao cemitério de Itagui, onde Pablo Escobar está enterrado junto com sua família, sua empregada e seu guarda-costas "Limón", que permaneceu fiel até o fim. O túmulo sob as palmeiras continua florido. "Não é difícil encontrar alguém rezando", explica Hector.

Dedo no gatilho
Até hoje Pablo Escobar possui admiradores, principalmente no bairro ao qual ele deu seu nome.

Esbanjador, na época em que ele sonhava fazer uma carreira política, o narcotraficante havia mandado construir 500 casas para os mais pobres.

Mas ele tinha o dedo no gatilho. E, quando, sob pressão de Washington, o Estado colombiano lhe declarou guerra, foi com bombas que ele respondeu. Antes de cada crime, seus pistoleiros iam colocar uma vela para a virgem da pequena igreja de Sabaneta para que ela os ajudasse a não errar o alvo.

A iniciativa da Medellín Experience desagradou as autoridades municipais, preocupadas em acabar com o estereótipo que associa Medellín ao tráfico de drogas.

"Nós lhe explicamos que não estávamos fazendo apologia a Pablo Escobar. Pelo contrário, é um pretexto para contar a história da cidade, o inferno que ela viveu e o que ela se tornou. Hoje Medellín é uma das cidades mais dinâmicas e seguras do continente", explica Hector. Ele lembra que Fernando Botero, também de Medellín, pintou a morte de Pablo Escobar.

O quadro está exposto no museu da cidade. "Gostemos ou não, foi Pablo Escobar que deu a Medellín sua fama mundial", conclui Hector Jimenez.

Tradução: Lana Lim

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