UOL Notícias Internacional
 

04/02/2009

Na Índia, finalmente a ioga é aceita no Islã

Le Monde
Julien Bouissou
Em Nova Délhi
A ioga é compatível com a religião muçulmana?

Depois de ter sido banida na Indonésia e na Malásia por altos dirigentes religiosos, a ioga acaba de ser autorizada na Índia, o segundo maior país muçulmano do mundo, pela escola corânica de Darul Uloom Deoband.

"É uma prática boa para a saúde, benéfica a toda a humanidade", declarou em 27 de janeiro Maulana Ahmad Khazir Shah, o vice-chanceler da Darum Uloom Deoband. Maulana Abdul Hameed Nomani, o porta-voz de uma outra escola corânica indiana, a Jamiat Ulama--i-Hind, aprovou a decisão, afirmando que "exercícios similares à ioga estão presentes nos ritos sufis".

Surgida há cinco mil anos na Índia, bem antes que Madonna a tornasse popular, a ioga foi por muito tempo acompanhada de cânticos religiosos hindus, em especial o famoso mantra "Om". O conselho nacional da fatwa, principal instituição muçulmana na Malásia, concluiu então que a prática "enfraqueceria a fé".

Mas a ioga pode dispensar o hinduísmo, garantem os gurus indianos. "Recitar o 'Om' só serve para concentrar o espírito sobre um único elemento", diz Swami Ramdev, um mestre muito respeitado na Índia. "Se as palavras, cantadas durante os exercícios, possuem uma conotação religiosa", explica Maulana Ahmad Khazir Shah, "então os muçulmanos não precisam murmurá-las. No lugar delas, eles podem recitar versos do Corão, orar por Alá ou ficar em silêncio".

A ioga é boa para o corpo e o espírito. O exército indiano a utiliza para diminuir o número de suicidas entre seus soldados em zonas de tensão como a Caxemira. Um distrito do estado de Madhya Pradesh, infestado pela criminalidade, chegou a decidir formar em ioga seus policiais de todas as religiões para que eles possam manter a linha e aliviar o estresse.

Reconciliar as religiões
Nos Estados Unidos, ela é ensinada nas capelas luteranas do Minnesota, onde chegou a se criar uma associação de professores de "ioga cristã". E é muito popular no Irã - um país, no mínimo, rigoroso em matéria religiosa, que tem até direito a uma revista especializada no assunto.

A ioga divide as autoridades religiosas muçulmanas desde que se tornou um exercício político. No diário indonésio "Jakarta Post", o diretor do Centro Internacional para o Islã e o Pluralismo, Syafi'i Anwar, pensa que o conselho dos ulemás [sábios islâmicos] da Indonésia quer, ao interditar a prática da ioga, "voltar à cena política do país".

Em compensação, na Índia a autorização da prática da ioga permite a reconciliação entre hindus e muçulmanos. "Após os ataques de Mumbai, as autoridades religiosas disseram de forma clara e responsável que o Islã é pacífico. O Darul Uloom escolheu ficar do lado do bom senso e da tolerância", escreve o diário "Indian Express" em seu editorial de 28 de janeiro.

Nesse país secular, onde as religiões às vezes têm dificuldade de coabitar pacificamente, permite a todos que cantem "Om", "Jesus" ou "Alá", contanto que a postura do lótus seja respeitada.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h29

    -0,61
    3,263
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h40

    1,46
    64.150,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host