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06/02/2009

Em Medellín, o teleférico reaviva os bairros pobres

Le Monde
Marie Delcas
Enviada especial a Medellín, Colômbia
Sobre os subúrbios que se estendem na encosta da montanha, as cabines luminosas balançam suavemente no céu. Antonia Gómez, 57 anos, fecha os olhos. "Nunca consegui me acostumar à vertigem", ela explica. "Mas eu economizo duas horas e meia de transporte por dia".

Em Medellín, o teleférico não é uma atração turística, mas sim um meio de transporte insubstituível. Segunda maior cidade da Colômbia, Medellín possui 2,4 milhões de habitantes. A primeira linha de "Metrocable" entrou em funcionamento em 2003. 45 mil pessoas a utilizam regularmente. Suas três estações - sobre mais de 400 metros de desnível - atendem os bairros renegados da região nordeste da cidade. Em serviço desde 2008, uma segunda linha com 2,7 km de comprimento atende os bairros da região oeste. Uma terceira linha está em construção.

O Metrocable é o único teleférico do mundo integrado à rede de metrô urbano. Mas, fora a proeza técnica, o importante é a "proeza social": graças ao teleférico, os bairros pobres saíram do isolamento. Um único bilhete permite atravessar a cidade de Medellín e partir em direção às alturas. Antonia economiza 7 mil pesos (2,30 euros) por dia. Para uma família de quatro pessoas, a economia atinge 70 euros por mês, é muito em um país onde o salário mínimo é de 170 euros...

O grupo francês Poma forneceu o projeto, o sistema e as cabines; uma empresa colombiana construiu as colunas e as estações. Ao contemplar a estrutura de concreto, de vidro e de aço que se exibe no coração do bairro de Santo Domingo, uma vendedora ambulante se admira: "É lindo, hein? E é para nós, os pobres".

"Cultura do metrô"

O Metrocable mudou a vida e a economia dos bairros marginais. "Antes, os moradores falavam de 'descer até Medellín', como se fosse uma outra cidade", explica Ivan Dario Upegui, diretor social da empresa. "O Metrocable contribui para tornar completos os habitantes e cidadãos". A vendedora de Santo Domingo acrescenta: "Há cinco anos, a polícia nunca colocava os pés aqui. Era perigoso demais. Mas agora, estamos tranquilos. Olhe, um banco até abriu uma agência". Nenhuma pichação, nenhum papel no chão: como o metrô, o teleférico brilha, de tão limpo. Em Medellín, fala-se de "cultura do metrô", um sinônimo de civismo.

"O Metrocable foi acompanhado de um processo de intervenção pública muito mais amplo", lembra Upegui. O município asfaltou as vias de acesso, construiu escolas e previu casas populares. Em torno das estações da segunda linha, 24 mil metros quadrados de espaços verdes estão sendo arrumados para receber concertos e manifestações públicas.
Especialistas do mundo inteiro vieram ver o Metrocable. O exemplo agradou: Caracas deve em breve inaugurar o seu.

Tradução: Lana Lim

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