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11/02/2009

Evo Morales enfrenta a corrupção na cúpula do Estado boliviano

Le Monde
Paulo A. Paranaguá
O presidente boliviano Evo Morales iniciou uma reestruturação do governo no domingo (8 de fevereiro) para aplicar a nova Constituição e preparar as eleições gerais, previstas para dezembro.

Para surpresa geral, ele confirmou o controverso ministro da presidência, Juan Ramón Quintana, suspeito de conivência em um caso de contrabando.

Uma semana antes, as suspeitas de corrupção haviam levado Morales a demitir o presidente da companhia petroleira nacional, Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Santos Ramirez, um dos principais dirigentes do Movimento pelo Socialismo (MAS, esquerda), o partido presidencial.

O escândalo estourou no final de janeiro após o assassinato de um diretor, Jorge O'Connor, em uma casa que pertencia à família da esposa de Ramirez. O motivo do assassinato foi um roubo de US$ 450 mil (350 mil euros) em dinheiro. Essa soma corresponderia a uma propina paga em um contrato de US$ 86 milhões, fechado entre a YPFB e a empresa de O'Connor, Catler Uniservice, para a construção de uma usina de liquefação de gás natural.

Quando o caso foi divulgado pela imprensa, Morales manteve-se distante de Ramirez, substituído pelo ex-ministro Carlos Villegas, o sexto presidente da YPFB em três anos.

Santos Ramirez, de 46 anos, era considerado em La Paz como o "terceiro homem" do poder, logo atrás de Evo Morales e seu vice-presidente, Álvaro Garcia Linera. Ex-sindicalista, defensor de organizações camponesas, ele era há dez anos uma figura do MAS.

Nacionalizações
Eleito deputado em 2002, e depois senador em 2005, ele presidiu o Senado e exerceu por duas vezes a presidência da República como interino. Ramirez teve um papel essencial na nacionalização dos hidrocarbonetos e na elaboração da nova Constituição. "Acredito que ainda posso servir ao meu país", garantiu Ramirez, na segunda-feira.

O escândalo da YPFB compromete o crédito das nacionalizações empreendidas pela esquerda boliviana. Em 2008, as vendas de gás representaram USS 3,4 bilhões, ou seja, um terço do PIB e a metade das exportações do país. Atualmente, a nacionalização das companhias de eletricidade está sendo estudada.

Durante a reestruturação governamental de domingo, Evo Morales criou três novos ministérios, dos quais um é dedicado à "transparência institucional e à luta contra a corrupção".

Tradução: Lana Lim

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