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12/02/2009

A União Europeia tenta evitar a radicalização dos jovens muçulmanos

Le Monde
Jean-Pierre Stroobants
Em Bruxelas
A ofensiva militar israelense em Gaza e as manifestações que ela gerou em diversos Estados membros provocaram uma forte radicalização entre a juventude muçulmana na Europa. É esta a convicção de muitos especialistas em segurança. Tanto do lado da Comissão quanto do conselho de ministros da União Europeia, os comentários oficiais são prudentes e mais atenuados. "Tenho dúvidas, mas gostaria de saber. Acho que de qualquer forma as redes árabes de notícias tiveram um papel considerável, que devemos examinar", comenta um alto funcionário do conselho.

As ameaças feitas pelas facções islâmicas são sempre consideradas "sérias" na França, na Grã-Bretanha e na Alemanha, em especial. As prisões efetuadas há algumas semanas na Bélgica parecem ter estabelecido ligações diretas com as redes paquistanesas, confirmando a atração renovada pela jihad de jovens vivendo na Europa.

Os serviços de Gilles de Kerckhove, coordenador da política antiterrorista da União, julgam que, de qualquer forma, deve ser mantida e aprofundada a estratégia lançada em 2005, visando prevenir o recrutamento e a radicalização. Esse plano também pretendia analisar as causas que levavam os jovens a aderir às ideias radicais e depois, para alguns deles, o envolvimento em movimentos violentos.

A Comissão, e mais especificamente seu departamento Justiça, Liberdade, Segurança (JLS), dirigido por Jacques Barrot, parecem mais reservados. Com a preocupação de não "estigmatizar", não dar a impressão de que mais uma vez se apontou uma comunidade como um todo, tem-se uma abordagem muito mais reservada do que a de Franco Frattini, o antecessor de Barrot. O comissário italiano havia feito da luta contra a radicalização uma de suas prioridades de ação.

Assim, uma série de estudos feitos pela Comissão, bem como os trabalhos de um grupo de especialistas, aparentemente foram deixados de lado. Apresentados há alguns meses, eles contêm, no entanto, diversas recomendações. Às vezes divergentes e marcados pelas origens nacionais de seus autores, esses estudos de terreno se unem para determinar as principais ligações da radicalização islâmica: as prisões, os estabelecimentos de ensino e a Internet, que se tornou o ambiente do "recrutamento virtual", ressaltam os especialistas da King's College de Londres. Eles convidam os Estados membros a estabelecerem meios humanos e técnicos e a desenvolverem um "contradiscurso" capaz de impedir a propaganda radical sobre a Rede. Ainda hesitante, esse projeto dirigido pela Alemanha e intitulado "Check the Web" confia uma missão de controle dos sites radicais à Europol.

Para as penitenciárias, lugar de doutrinação muito difícil de controlar, a ideia é elaborar um manual destinado aos funcionários e comum a todos os Estados membros. Os especialistas do Change Institute de Londres sugerem fazer um apelo às organizações da sociedade civil muçulmana para elaborar com urgência um plano de ação.

Os relatórios também mostram uma forte queda da idade média dos recrutados pela jihad. Daí a necessidade de uma ação no meio escolar, recorrendo claramente às noções de identidade, de cidadania e de multiculturalismo, resultando em uma formação avançada dos instrutores sobre esse tema. A Companhia Europeia de Inteligência Estratégica (CEIS, Paris) destaca a necessidade de se financiar o ensino das línguas vernaculares, que se tornou um monopólio dos centros islâmicos.

De forma mais geral, seria necessário favorecer "uma cultura de massa europeia do Islã para os jovens vindos da imigração" e deixar de apresentar essa religião de maneira conflituosa, sugere a CEIS.

A respeito do Oriente Médio, os relatórios notam que seria conveniente estudar atentamente a ideia de que uma resolução dos conflitos em curso poderia ter um forte impacto de "contra-radicalização" na Europa. Eles observam que inúmeros muçulmanos radicais interrogados nesses inquéritos lamentam, sobretudo, a imobilidade dos países ocidentais.

Tradução: Lana Lim

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