UOL Notícias Internacional
 

17/02/2009

Governo de união nacional do Zimbábue enfrenta dificuldades desde a posse

Le Monde
Jean-Philippe Rémy
Em Nairóbi
No papel, o governo de união entre o poder e a oposição começou a existir no Zimbábue. Depois de trabalhosos juramentos, seus membros deveriam estar em seus ministérios nesta segunda-feira (16) pela primeira vez. Apesar das esperanças baseadas nas virtudes salvadoras de uma divisão de poder entre os partidários do presidente Robert Mugabe e a oposição, o governo de união teve um mau começo.

Recém-criado sob a batuta conjunta de Mugabe e de Morgan Tsvangirai, chefe do principal partido de oposição, Movimento para a Reforma Democrática (MDC na sigla em inglês), nomeado primeiro-ministro alguns dias atrás, o governo já está marcado pelas disfunções. Enquanto os ministros da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e os do MDC com seu ramo dissidente se reunirão nesta terça-feira para o primeiro conselho de ministros, um deles não estará presente. Roy Bennett, escolhido pelo MDC para vice-ministro da Agricultura, foi preso antes mesmo de ter tomado posse.

Esse representante do grupo dos agricultores brancos, depois de ter visto sua fazenda tomada pelo poder, já havia sido preso, depois passou três anos no exílio na África do Sul, onde se tornou tesoureiro geral do MDC. Ele deveria comparecer nesta segunda-feira para responder às acusações de terrorismo, banditismo e sabotagem. Essa detenção constitui "um motivo sério de preocupação. Ele mina o espírito do acordo", afirmou Tsvangirai. O MDC estima que no momento em que seus ministros prestavam juramento cerca de 30 membros do partido estavam detidos sem justificativa.

Não é a única nuvem que paira sobre o governo de união, que deveria fechar o parêntese aberto pelas eleições gerais de março de 2008, cujo primeiro turno foi vencido pelo MDC. Em 15 de setembro de 2008, um acordo foi assinado entre o poder e a oposição, prevendo a implantação de um governo de união e a criação de um cargo de primeiro-ministro para Morgan Tsvangirai. Foram necessários meses de negociações sob a égide da África austral, acompanhadas de pressões, para chegar a implementá-lo.

Pastas minadas
Mesmo que o Ministério do Interior seja colocado sob o controle conjunto da Zanu-PF e do MDC, a oposição terá muita dificuldade para controlar o aparelho de segurança. O partido de Mugabe conserva o Ministério da Defesa, entregue ao todo-poderoso Emmerson Mnangagwa.

O partido de Tsvangirai herda duas pastas importantes, mas minadas. A da Saúde, com a responsabilidade de enfrentar a epidemia de cólera que matou mais de 3.400 pessoas desde agosto; e a das Finanças, com a perspectiva de ter de recuperar uma economia em estado de morte clínica, marcada por uma inflação de um bilhão por cento e um desemprego que atinge toda a população.

Em fevereiro, o Banco Central do Zimbábue retirou 12 zeros de sua moeda. Um relatório da ONU estima que poderá ser necessária uma década para voltar aos padrões de vida dos anos 1990 antes que a crise termine. Ele também estima que em um primeiro tempo serão necessários US$ 5 bilhões de ajuda nos próximos cinco anos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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