UOL Notícias Internacional
 

24/02/2009

Questão Nakagawa tira a credibilidade do governo japonês

Le Monde
Phillipe Pons
Em Tóquio
Uma semana após a demissão do ministro japonês das Finanças Shoichi Nakagawa, por ter aparecido em estado de embriaguez em uma coletiva de imprensa na sequência de uma reunião do G7 em Roma, a questão continua a fazer a alegria da imprensa sensacionalista, mas também dos grandes diários. Acima de tudo, ela abalou ainda mais, como se fosse preciso, o crédito do governo de Taro Aso: em queda livre nas pesquisas, o índice de popularidade do premiê se aproxima do limiar (10%), para além do qual ele deve sofrer as consequências.

Taro Aso, que deve parcialmente seu posto às manobras de Nakagawa, ao defender ingenuamente seu colega perdeu mais alguns pontos de sua popularidade. A princípio ele sustentou, de forma hipócrita, que Nakagawa não bebia mais do que os outros, e que sua confusão em Roma se devia ao uso de remédios antigripais. Como se Aso quase não frequentasse os "jantares sociais": o estado de embriaguez de Nakagawa era um segredo de polichinelo nos meios políticos e diplomáticos em Tóquio.

Hoje, este último está desacreditado e a imprensa faz a festa lembrando que o personagem, irônico e rude em suas declarações, havia causado um pequeno escândalo no Museu do Vaticano antes da famosa coletiva de imprensa. Em companhia de um funcionário de alto escalão de seu ministério e do embaixador japonês na Santa Sé, ele tocou nos objetos expostos, e depois disparou o sistema de alarmes ao pular a grade de proteção de uma estátua de Laocoonte e seus filhos.

Fórmulas exageradas

Conhecido por suas opiniões de direita e suas fórmulas exageradas (propondo afundar os navios de ecologistas que perseguiam os baleeiros japoneses) e sexistas, Shoichi Nakagawa praticamente não deixará nenhuma lembrança memorável de sua passagem pela liderança dos ministérios da Indústria e do Comércio ou da Agricultura nos gabinetes Koizumi (2001-2006). O que poderia ser o caso de sua "prestação de serviços" em Roma: a incessante transmissão, nas redes de televisão internacionais, do ministro das Finanças da segunda maior potência econômica mundial, falando com uma voz pastosa entre dois cochilos, não é a melhor demonstração que o Japão pode dar de suas capacidades para enfrentar a crise atual.

O caso Nakagawa, que não está isento de uma intenção de linchagem midiática, levanta a questão política da responsabilidade dos dirigentes que, conhecendo a deficiência que afeta as faculdades intelectuais de um dentre eles, ainda assim confia a este um cargo importante por camaradagem.

Tradução: Lana Lim

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