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05/03/2009

Alemanha hesita em ajudar seus grandes grupos industriais em dificuldade

Le Monde
Em Berlim
Depois dos bancos, as empresas? A Alemanha se questiona sobre a oportunidade de um apoio financeiro aos grandes grupos em dificuldade, sendo um dos principais, a fabricante de automóveis Opel.

A filial alemã da americana GM (General Motors) deseja se emancipar de sua empresa-mãe, à beira da falência, e pede para ser sustentada às custas de bilhões de euros de fundos públicos. O governo de Angela Merkel anunciou que estudaria com calma o plano de socorro apresentado pela empresa antes de tomar sua decisão.

A menos de sete meses das eleições legislativas de setembro, a questão é delicada. A Opel emprega aproximadamente 26 mil pessoas em seus quatro locais de produção na Alemanha, chegando até quase o dobro se considerarmos os empregos que dependem dela indiretamente.

Forte pressão social

Nenhum dos dois partidos parceiros da grande coalizão, as Uniões Cristãs CDU-CSU e o Partido Social Democrata (SPD), quer ser acusado de indiferença em relação ao destino desses assalariados. O ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, candidato do SPD à chancelaria, ainda se mostrou do lado dos "Opelaner" que protestavam em defesa de seus empregos, no dia 26 de março. "A Opel é de vocês, e é para isso que a Opel deve viver", disse ele à multidão, em Rüsselsheim, onde se localiza a sede da "marca do raio".

Ele não interfere. A questão de um salvamento desses apresenta um dilema ao governo. Ao ceder um subsídio à fabricante, não se correria um risco de ver uma massa de outros grupos se apresentando no guichê do Estado? Mas a Opel não é a primeira a solicitar fundos públicos. Há dois meses a fabricante de componentes automotivos Schaeffler também pede por ajuda. A empresa familiar pena para conseguir adquirir sua concorrente Continental, sobre a qual ela assumiu controle no verão de 2008. Endividada até o pescoço, ela está à beira da falência.

Por enquanto, Berlim decidiu se recusar a pagar: nem se cogita deixar o contribuinte assumir os erros estratégicos dos dirigentes. Mas ali a pressão social também é forte. Só a Schaeffler e a Continental empregam, juntas, 75 mil pessoas na Alemanha. Em meados de fevereiro, uma manifestação pela proteção do grupo reuniu milhares de assalariados da Schaeffler.

Angela Merkel está entre dois fogos. "Ela hesita, como sempre", observa o semanário "Der Spiegel" de segunda-feira (2). A chanceler teme que "os bilhões entregues pelo Estado não consigam, afinal de contas, impedir as falências", diz a revista.

Os meios econômicos, de onde vem uma parte do eleitorado conservador, já soou o alarme: a sobrevivência dessas empresas depende de investidores privados, não é de competência do poder público. Algumas pessoas não hesitam em comparar a intervenção do Estado à "ressurreição" da antiga Alemanha do Estado comunista. Sem contar diversas outras questões que tal apoio certamente suscitaria: não existe o risco de um desequilíbrio da concorrência? No caso da Opel, não haveria o risco de o dinheiro ir parar nos Estados Unidos, no bolso da General Motors?

A chanceler vê que o medo do desemprego cresce, da mesma forma que o descontentamento social. Os sindicatos lembram que o governo já dedicou vários bilhões de euros a socorrer o setor bancário e tirar do sufoco a Hypo Real Estate, o Commerzbank ou o IKB. "Mas para seu núcleo industrial, ele não quer dar um centavo", criticou o presidente do sindicato IG Metall, Berthold Huber, ao lado dos assalariados da Opel.

Diversas organizações de esquerda e altermundistas convocam manifestações para 28 de março, em Berlim e Frankfurt. A palavra de ordem é: "Nós não pagamos por sua crise".

Tradução: Lana Lim

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