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05/03/2009

Hugo Chávez quer lutar contra a inflação aumentando o controle sobre a economia

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá
Menos arroz? Mais Estado. É a resposta do presidente venezuelano Hugo Chávez, que acaba de assumir o controle sobre duas usinas de produção de arroz para enfrentar as ameaças de escassez e a alta dos preços. A empresa Alimentos Polar, uma das mais conhecidas, anunciou na terça-feira (3) sua intenção de levar o caso aos tribunais. Desde domingo, os militares controlam sua usina Primor. Na segunda-feira, o exército tomou posse de uma fábrica pertencente à empresa Mary. A oposição e o empresariado denunciam "um atentado à propriedade privada e à liberdade de empreendimento".

"Já era hora de o governo fazer alguma coisa. Na semana passada, paguei 7 bolívares (R$ 7,45) por um quilo de arroz", explica, indignada, Katy, que vive em La Vega, um bairro pobre de Caracas. Normalmente, ela compra seu arroz em um supermercado Mercal, a rede de distribuição a preços subsidiados implantada pelo governo Chávez. A Mercal possui 15 mil pontos de venda. Lá o arroz custa 0,99 bolívares. Mas às vezes ele está em falta. Para Katy, o mais grave é que nem a Mercal, nem o controle de preços - instaurado em 2003 - , foram suficientes para deter a inflação. Em 2008, a alta dos preços dos alimentos chegou a 41%. As autoridades acusam os produtores de contornarem a legislação e de provocar ocasionalmente a falta de produtos.

"Zombar do povo"

Segundo o governo, a usina Primor só operava a 40% de sua capacidade. Ela só produzia 9% do arroz branco, cujo preço é controlado (o resto era constituído por arrozes perfumados não submetidos a regulamentação). Um decreto publicado no Diário Oficial de 3 de março passa a obrigar todos os produtores do país a produzirem pelo menos 80% de arroz branco.

Luís Carmona, diretor de operações da Alimentos Polar, confirmou que a Primor não funcionava a plena capacidade, alegando falta de matéria-prima. Segundo ele, a produção de arroz é insuficiente e as importações são controladas demais. O custo de produção de um quilo de arroz branco é de 4,41 bolívares, ou seja, mais do que o dobro do preço de venda máximo autorizado. "Obrigar as empresas a produzirem arroz para venda com prejuízo não vai resolver o problema da escassez, e sim agravá-lo", observa Carmona. Segundo a direção da Polar, a usina Primor só detém 6% do mercado, e o Estado no controle, 46%.

Chávez havia ameaçado, no dia 28 de fevereiro, expropriar os produtores de arroz culpados de não terem respeitado os preços regulados, acusando os industriais de "zombar do povo". Vários setores-chave da economia, como as telecomunicações, a energia e a indústria de cimento, já foram sujeitas a nacionalizações parciais. O ministro da Alimentação, Félix Osorio, explicou que o controle das usinas de arroz era uma medida "provisória", destinada a fazer com que o setor privado entendesse que "os alimentos não são uma mercadoria como as outras".

De acordo com o jornalista de oposição Roberto Giusti, "a crise do arroz é só a primeira manifestação da recessão que chega".

Tradução: Lana Lim

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