UOL Notícias Internacional
 

15/03/2009

Detetive particular investigava empregados na Inglaterra

Le Monde
Virginie Malingre Em Londres
Uma porta verde. Sem placa. Era preciso conhecer o escritório do detetive particular Ian Kerr em Droitwich, Worcestershire, para entrar ali. Isso porque o homem de 66 anos se especializara em uma atividade à margem da legalidade: a venda, para as empresas do setor de construção, de informações sobre possíveis funcionários. Uma lista com 3.213 nomes, com detalhes sobre sua afiliação sindical, seu comportamento em empresa ou até mesmo dados mais pessoais. Alguns dos fatos mencionados remetiam aos anos 1980.

Richard Thomas, o comissário de informação, que dirige a agência governamental encarregada de facilitar o acesso do público às informações oficiais, e de zelar pelo respeito aos dados privados, comunicou na sexta-feira (dia 6) os resultados da investigação que ele conduzia desde o verão de 2008. Após uma busca na casa de Kerr na segunda-feira (dia 2), descobriu-se que mais de 40 empresas - entre as quais grandes nomes, como Balfour Beatty, Sir Robert McAlpine ou ainda Laing O'Rourke - utilizavam seus serviços. Ele cobrava delas uma assinatura anual de 3 mil libras esterlinas(cerca de R$ 9.600) para lhes passar a lista. E 2,20 libras esterlinas para cada vez que eles quisessem detalhes sobre uma pessoa específica. "Encontramos faturas que chegavam a 7.500 libras esterlinas", indicou a agência de Thomas.

Além disso, os clientes de Kerr alimentavam sua base de dados para ajudá-lo a atualizá-la e - como obriga a solidariedade entre empresas - compartilhá-la melhor com seus concorrentes. Descobriu-se que um "causaria problemas", que outro "é uma má influência", ou ainda que é "membro do Partido Comunista", "preguiçoso", "especialista em organizar greves"... Kerr, que fechou seu escritório logo após a batida de Thomas, afirma que ele não emitia nenhum julgamento sobre as pessoas fichadas, mas dava material às empresas para que elas fizessem escolhas mais bem esclarecidas.

Faz anos que os sindicatos da construção civil suspeitam da existência de uma lista negra de homens a não serem recrutados. Entre outros vários depoimentos, Steve Acheson, um eletricista de 55 anos, conta que desde que ele ganhou processos na justiça do trabalho, ele só conseguiu trabalhar "36 semanas nos últimos 9 anos". Antes, ele nadava em propostas. Essas práticas infringem a lei de proteção de dados que proíbe o armazenamento de informações pessoais quando os indivíduos em questão não estão cientes.

O comissário de informação decidiu processar Kerr e estuda o que pode fazer contra as empresas que eram suas clientes.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host