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17/03/2009

Do Benin ao Congo, o insolente sucesso das casas de apostas hípicas africanas

Le Monde
Philippe Bernard
Eles têm o gosto e às vezes as cores dos PMU [Pari Mutuel Urbain, sistema de apostas hípicas] franceses, mas os sistemas de apostas em corridas de cavalo que se desenvolveram na África nos anos 1990 se originaram de sociedades independentes de sua mãe francesa. "Temos uma relação comercial de cliente-fornecedor. Mas as entidades africanas não possuem nenhuma ligação conosco", explica um porta-voz da direção do PMU francês.

Do Benin ao Togo, passando pelo Gabão ou o Congo-Brazzaville, centenas de milhares de cidadãos de treze países africanos francófonos têm os olhos pregados em Longchamp ou Deauville para suas apostas triplas ou quádruplas, exatamente como os apostadores franceses. Em 2007, os jogadores africanos geraram indiretamente € 2,5 milhões para o PMU francês, em um resultado total de 727 milhões. Senegal, Mali, Camarões, Gabão e Burkina-Faso figuram entre os melhores clientes.

Sejam privadas ou filiais das loterias nacionais do Estado, os PMU africanos compram em Paris as imagens das corridas e os dados (peso dos jóqueis, cor dos casacos, performances dos cavalos) que lhes permitem receber as apostas. Mas a administração dos jogos, o cálculo do rateio e a distribuição dos ganhos se efetuam sobre uma base nacional.

Os jogos africanos se fazem, então, "em massa separada", segundo o jargão da casa. Em outras palavras, as somas apostadas na África não deixam o continente.

A insistência por parte do PMU francês em explicar a independência de seus correspondentes africanos em relação a ele se explica não só pelo caráter polêmico dos jogos de azar em países pobres, mas, sobretudo, pelas circunstâncias perturbadoras da criação dos PMU africanos.

Essas empresas prósperas foram criadas há cerca de vinte anos por donos de caça-níqueis e de cassinos da Córsega próximos de Charles Pasqua. Robert Feliciaggi, originário do Congo-Brazzaville, se associou então a Michel Tomi para converter a África ao PMU. Robert Feliciaggi, assassinado no estacionamento do aeroporto de Ajaccio em março de 2006, não compareceu, no outono de 2007, diante do tribunal correcional de Paris, onde deveria ser julgado, em companhia de Michel Tomi e de Charles Pasqua.

Depois desse processo, Pasqua foi condenado, em março de 2008, por ter financiado ilegalmente sua campanha nas eleições europeias de 1999 com somas pagas especialmente por Tomi, em troca da autorização de exploração do cassino de Annemasse (Alta Saboia). Esse último foi condenado por "corrupção ativa".

Tradução: Lana Lim

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