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19/03/2009

Tenho a consciência tranquila, diz Dom Dedé sobre o caso de excomunhão em PE

Le Monde
Jean-Pierre Langellier No Rio de Janeiro
"Dom Dedé" insiste: "O aborto é muito mais grave do que o estupro. Em um caso, a vítima é um adulto, em outro, um inocente indefeso". Em uma longa entrevista à revista semanal brasileira "Época", Dom José Cardoso Sobrinho, conhecido como "Dom Dedé", arcebispo de Olinda e Recife, fala sobre as circunstâncias que o levaram a excomungar a mãe de uma menina, grávida de dois gêmeos como consequência de um estupro, e a equipe médica que interrompeu sua gestação. O prelado parece se esquecer de que a vítima, de 9 anos, era "inocente" e "indefesa".

Dom Dedé tem "a consciência muito tranquila", ele repete. Ele se alegra por ter ouvido "um grande, um enorme clamor das autoridades de Roma a (seu) favor". "Hoje mesmo recebi uma carta elogiosa do cardeal Giovanni Battista Re, chefe da Congregação para os Bispos", garante ele, esquecendo as críticas do presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Rino Fisichella.

No Brasil o aborto continua sendo proibido, exceto em caso de estupro ou de risco à vida da mãe, uma dupla exceção que se aplicava à menina.

Para Dom Dedé isso não importa, pois "a lei de Deus é superior à dos homens". Informado sobre a questão por um outro arcebispo, ele diz ter feito várias reuniões para impedir o aborto, juntamente com o pai biológico da menina, separado de sua mulher há três anos.

Dom Dedé é um cruzado da doutrina. Foi em grande parte por isso que ele fez uma brilhante carreira. Nascido em 1933 em Pernambuco, perto da cidade natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e originário, como este último, de uma família numerosa e pobre - , ele estudou teologia em Recife e obteve seu doutorado em direito canônico em Roma.

Autoritário e zeloso
Durante 25 anos, ele trabalhou no Vaticano. Em 1985, João Paulo II o nomeou arcebispo de Olinda e Recife, onde ele se responsabilizou por 5 milhões de almas, tendo por missão liquidar a herança progressista, considerada subversiva em Roma, de seu predecessor, Dom Hélder Câmara, "o arcebispo dos pobres", afastado sem maiores explicações.

Com a reputação de autoritário, ele desempenha sua tarefa com zelo. Ele fecha os seminários criados por Dom Hélder e obriga cerca de trinta padres, considerados suspeitos, a se demitirem ou mudar de região. Segundo ele, esses institutos são frequentados por "mulheres negras, incluindo não-católicas, e cerca de cinquenta homossexuais declarados".

Sobre o caso da excomunhão, Dom Dedé parece não querer ficar nem do lado da menina, nem do padrasto estuprador, que pode ser condenado a quinze anos de prisão. À vítima, se "ela estiver ciente de ter pecado", ele aconselha "se confessar"; ele se dispõe a ajudar o criminoso a "rezar para obter o perdão". Será que ele sabe o nome da criança? "Hã..." Teria ele algum arrependimento? "Sim, eu queria tanto ter batizado os dois bebês. Eu havia planejado uma festa para esse dia".

Tradução: Lana Lim

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