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19/03/2009

Vindos do Iraque, reforços militares dos EUA chegam no Afeganistão

Le Monde
Natalie Nougayrède Em Lowgar (Afeganistão)
Nessas regiões pedregosas onde, com a chegada da primavera, a insurreição taleban estaria voltando à ativa, o coronel David Haight e seus homens da 10ª divisão de montanha do Estado de Nova York, começaram a revelar sua potência de ataque. Eles formam o posto avançado do "surge" (reforços de tropas) de 17 mil homens determinado pela administração Obama para o Afeganistão, país promovido a frente "número um" da luta contra o terrorismo internacional.

A base de operações avançadas, chamada de "Shank", oferece o espetáculo de uma impressionante concentração de veículos blindados, Humwees, peças de artilharia, morteiros, metralhadoras, tudo sob um céu azul cristalino perturbado pelo incessante zumbido da ronda dos helicópteros.
Armados com equipamentos, capacetes, óculos escuros, esse militares parecem marcianos catapultados no universo arcaico dos camponeses afegãos pachtuns.

O coronel Haight tinha experiência no Iraque, e seu contingente de 2.700 homens inclui um grande número de veteranos que passaram pela antiga Mesopotâmia. "Estávamos nos preparando para voltar a Bagdá quando as ordens mudaram: em direção ao Afeganistão", ri o comandante.

Ajudado por um jovem "conselheiro político" enviado pelo departamento de Estado americano, o coronel Haight se pôs a consultar o mapa das tribos, as chouras (assembleias tradicionais), os chefes das aldeias, para se familiarizar com um mundo desconhecido, e aplicar as ordens do general David Petraeus, chefe do Centcom e arquiteto da guerra: trabalhar mais perto da população, tentar privar a guerrilha de seus apoios locais. O coronel resume tudo isso em uma fórmula: "Estamos aqui para fazer o bem aos bons, e o mal aos maus!"

A única experiência com o Afeganistão que o coronel já havia tido foi em 2004, quando ele operou nas forças especiais perseguindo a Al Qaeda nas montanhas. "Eu só via esse país através dos óculos de visão noturna", ele diz. Desde o Iraque, o exército americano se tornou "mais sofisticado", garante o comandante. "Tivemos de aprender novas tarefas. Como tornar um território mais seguro se apoiando nos locais. Mas aqui é mais difícil. A diferença é que o Iraque é um país avançado, com engenheiros, infraestruturas. Enquanto o Afeganistão... está na Idade da Pedra!"

Para ilustrar melhor a tática contra-insurreicional, cá estamos, um pequeno grupo de jornalistas europeus, conduzidos em um longo comboio de blindados, em direção a uma das realizações da missão da OTAN: a construção de uma ponte, e o reparo de um posto da polícia afegã instalado sobre uma rota estratégica que liga as zonas do sul à região de Cabul, eixo de penetração dos talebans.

Quando passa a armada americana, os carros e as charretes dos habitantes do campo logo se imobilizam nos acostamentos, de medo que os militares com o dedo no gatilho confundam civis com combatentes inimigos.

No local, os policiais afegãos, de botas, se mantêm calmos com a chegada dos soldados americanos. A confiança parece relativa. Abaixo da ponte, um velho camponês afegão ara um pedaço de terra. Um militar americano se dirige ao intérprete designado para a tropa: "Ei, pergunte a ele se quer falar com os jornalistas!" O camponês se sacrifica. Com a expressão impassível, ele declara aos visitantes que está "muito feliz" com a presença dos americanos que "vieram para nos ajudar".

No dia seguinte à essa visita, uma informação é divulgada no quartel-general da OTAN em Cabul: na região vizinha de Wardack, as forças especiais americanas mataram cinco pessoas. Segundo o porta-voz da coalizão, as vítimas eram insurgentes. Segundo as autoridades afegãs locais, se tratava de uma família de civis.

Tradução: Lana Lim

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