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29/03/2009

Em Madagáscar, a ascensão fulgurante de um jovem cativado pela política

Le Monde
Jean-Philippe Rémy* Enviado especial a Antananarivo
Seu rosto puro parece capaz de se iluminar a pedidos, e seu sorriso é irresistível. Na questão charme, Andry Rajoelina não tem rival na classe política malgaxe. Durante os dois meses que durou o braço-de-ferro com o presidente que ele acaba de derrubar e substituir, o empresário utilizou essa sedução imediata em toda parte. No palco da disputa, que ele plantou no centro de Madagáscar, e na mídia, para a qual estava sempre disponível.
  • Zhu Xiaoguang/Xinhua/AP

    Andry Rajoelina faz discurso durante cerimônia de posse



E depois, em uma aceleração-conclusão que é segredo da Grande Ilha, o poder chegou a suas mãos e esse jovem de 34 anos de traços lisos como um menino na primeira comunhão tornou-se o mais jovem chefe de Estado africano, prestando juramento em 21 de março. Então a situação mudou.

Hoje Andry Rajoelina desfila com todas as sirenes gritando através da capital, escoltado por caminhonetes com soldados armados. O poder não é tão sólido quanto sua atitude.

"Desde jovem eu costumava ser animador, segurar o microfone. Algumas vezes estive nos toca-discos. Nos clubes eu inflamava as pistas", ele conta com nostalgia. Nessa época, nos anos 1990, ele monta as "noites ao vivo" que atraem a juventude dourada de Antananarivo. Aí o DJ Andry tem encontros interessantes, em um meio social que lhe servirá em breve de trampolim.

Ambicioso ele é. Sua família é originária da classe média, noção importante em um país onde os pedigrees sociais e étnicos são dissecados com paixão de entomologista. O pai, coronel, "saiu das fileiras", segundo um de seus velhos companheiros de armas, depois de uma carreira que o levou a fazer a guerra da Argélia com uniforme francês e portanto a legar a nacionalidade francesa a seus filhos.

Andry Rajoelina sairá de sua classe, arranjando mulher na elite de Madagascar. Sua esposa, Mialy, colocará ordem em seus negócios e suas ideias. "Hoje isso representa problemas. Andry faz promessas de nomeações, mas o que é feito de dia é desfeito quando ele volta para casa", comenta um próximo de longa data.

"Combater um grande"
Em 1999 um jornal da ilha distinguiu um empresário chamado Ravalomanana como "administrador do ano". Em 2000 Andry Rajoelina o sucedeu. Ele fundou a primeira empresa de impressão offset digital e criou uma rede de outdoors antes de se diversificar na publicidade e na mídia. Marc Ravalomanana assumiu o poder. Andry Rajoelina, que frequentou então assiduamente sua filha, fez dele seu "modelo".

Um dia chegará sua vez, ele tem certeza, declarando ao acaso na conversa: "As pessoas dizem que eu sou o Messias". Apressado demais para entrar no misticismo, "TGV" aplicou à política as regras do marketing. Ali onde seu predecessor havia confundido programa político com plano de negócios, Andry, que parou de estudar após o colegial, baseou suas esperanças em um plano de mídia. Um exemplo? "Nicolas Sarkozy." Por quê? "Ele sabe se comunicar muito bem."

Podemos lhe devolver o "cumprimento". Em 2007 ele ataca ao mesmo tempo a prefeitura de Antananarivo e seu ex-modelo, o presidente Ravalomanana. "Para se tornar grande, é preciso combater um grande", afirma. A guerra com Ravalomanana é declarada. O movimento de TGV, concebido como um "happening", capitaliza o descontentamento da população sem revelar que se trata de uma máquina para tomar o poder, com o apoio dos inimigos de Ravalomanana.

Adversários, próximos do ex-presidente Didier Ratsiraka, ricos homens de negócios marginalizados pelo chefe de Estado vão contribuir para as despesas da campanha. Mas os meses de contestação desordenada não permitiram montar uma equipe completa, nem um programa preciso. "Nos reuníamos sempre em confusão, mudando de lugar o tempo todo, não tivemos tempo de construir", justifica o adversário Roland Ratsiraka, sobrinho do ex-presidente exilado na França.

"Hoje é preciso principalmente que o presidente escute os conselhos. Ele é jovem, muito jovem e inexperiente", comenta um observador da política local.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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