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31/03/2009

Uma alta tecnologia simplificada para tranquilizar os mais velhos

Le Monde
Joël Morio
Para seduzir novos clientes, fabricantes da área de informática, de materiais eletrônicos ou operadoras de telecomunicações se voltam para o mercado dos idosos. Esse segmento da população não para de crescer. Segundo o Insee (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos), as pessoas com mais de 60 anos representarão, em 2050, quase um terço da população francesa.

Os idosos ainda são sub-equipados em ferramentas de comunicação. A operadora Orange calculou que a taxa de adesão ao telefone móvel não passa de 50% entre os maiores de 60 anos, contra quase 100% da população como um todo, um nível atingido devido ao fato de algumas pessoas possuírem vários celulares.

Durante o Salão dos "Seniores", que aconteceu até sábado (28) em Paris, em Porte de Versailles, a Orange anunciou a comercialização de um pacote de Internet fácil. Ele incluirá uma assinatura de internet de alta velocidade, um serviço de assistência especializada, um computador com uma interface simplificada e um modem. "Trata-se de tranquilizar os clientes, deixando de lado os aspectos tecnológicos e dando-lhes um equipamento pronto para utilizar", explica Marie-Noëlle Jego-Laveissière, do departamento de marketing da Orange.

Na área de celulares, fora uma taxa "inicial" com 10% de desconto, os maiores de 60 anos poderão fazer uma assinatura que lhes permitirá ter acesso a um serviço de assistência com o simples toque de uma tecla, contanto que tenham o celular Sagem my312T.

As empresas de serviços de cuidado pessoal também se interessam por esse mercado.
A PC30, companhia especializada em auxílio de informática a domicílio, se juntou à Age d'Or Services, para ajudar os idosos a instalar um equipamento, lhes dar treinamento ou assistência.

Quanto aos fabricantes, a E-sidor (pronuncia-se Isidor) - uma jovem pequena empresa francesa que elaborou a interface do computador que será distribuído pela Orange - comercializa há um ano uma máquina desenvolvida para os mais idosos.

"Eu estava terminando minha tese em informática quando meus avós, que queriam manter contato com seus netos por e-mail, me pediram para lhes dar aulas de computação", conta Emmanuel Freund, criado da E-sidor. Muito rapidamente, ele percebeu que o aprendizado seria longo e começou a perder a paciência. Acima de tudo, ele observou como o material é pouco adaptado para as pessoas de mais idade. "Alguns deles têm dificuldade para usar um mouse: eles não conseguem necessariamente fazer a ligação entre o deslocamento do cursor na tela e o movimento a se fazer com a mão", ele constata. Uma vez que se veem em situação de fracasso, as pessoas idosas desistem.

Assim nasceu a ideia de um computador com touch screen que se comanda com a mão. Esse material já existe, mas dessa vez a interface foi completamente repensada. Sem sistema operacional Windows ou Mac OS, o "motor" do computador foi construído a partir do sistema livre e comunitário Linux. Os ícones permitem que se acessem diretamente as principais funções: enviar um e-mail, ver suas fotos, escrever um texto...

Em maio, a gama da E-sidor deve aumentar, com a chegada de um computador portátil com touch screen. A empresa tem a ambição, sobretudo, de se tornar uma criadora de interfaces adaptadas aos idosos e logo comercializará um programa que pode ser instalado em qualquer computador (Mac ou PC).

Fazer uma máquina destinada aos mais velhos não é algo tecnicamente impossível. No entanto, esse mercado não parece interessar aos grandes fabricantes. "É um mercado de nicho", explica Jérôme Arnaud, presidente da Doro. Essa empresa de origem sueca se especializou na concepção de aparelhos adaptados para idosos.

Ela oferece telefones (móveis ou fixos) com teclas enormes, toques bem altos ou combinados com luzes piscantes. É possível até substituir o teclado normal por fotos: a pessoa idosa só precisa pressionar o retrato de um de seus parentes para entrar em contato com ele.

Outros equipamentos permitem se conectar a serviços de emergência só apertando um botão. Também é possível agregar campainhas a determinados objetos que podem ser perdidos dentro de casa, para encontrá-los mais rapidamente.

No entanto, ainda que esses aparelhos tragam um conforto real àqueles que possuem deficiências, a maioria dos idosos gostaria de poder utilizar as mesmas máquinas que os mais jovens para não serem estigmatizados. Nada impossível, uma vez que os computadores e celulares se tornam cada vez mais fáceis de usar...

Tradução: Lana Lim

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