UOL Notícias Internacional
 

01/04/2009

Benjamin Netanyahu apresenta um governo ampliado, mas frágil

Le Monde
Michel Bôle-Richard
Em Jerusalém
Desde 31 de março, Israel possui um dos governos mais exuberantes de sua história. Ele é de direita e a presença do Partido Trabalhista na coalizão não chega a mudar sua natureza. Além disso, ele não tem certeza de que todos os deputados trabalhistas dão voto de confiança ao gabinete de Benjamin Netanyahu, o líder do Likud, a direita clássica, que volta ao poder dez anos depois de ser tirado por Ehud Barak, líder dos trabalhistas, hoje ministro da Defesa. O rancor está vivo entre os herdeiros de Yitzhak Rabin, os rebeldes a essa aliança antinatural, que não aceitam bem a participação de um executivo que, segundo eles, é sinônimo de um isolamento do Estado judeu.

Foi necessária muita imaginação para que Netanyahu conseguisse arrumar um lugar para todos seus associados, não restando nada para os caciques do Likud e todos os aliados de antes das eleições de 10 de fevereiro, que sonhavam com um cargo. O primeiro-ministro decidiu escolher de última hora os felizardos. Muitos ficaram desapontados. Somente treze membros do Likud devem figurar no gabinete, ao passo que os membros da coalizão compartilham a maioria das cerca de 30 pastas de ministros e das sete de vice-ministros. A conta só se encerrou definitivamente na manhã de segunda, pois as negociações se deram até tarde da noite.

Foi preciso dividir em dois os ministérios, para tentar contentar a todos, em vão. Resultado: será necessário estender o quadro do conselho de ministros. Na verdade, será o maior Executivo desde aquele implantado por Ariel Sharon na primavera de 2001. Ele terá no mínimo seis ministros sem pasta.

Apesar disso, a coalizão do sucessor de Ehud Olmert permanece mínima. Ela só dispõe de uma maioria de 69 deputados em 120, e isso se todos os trabalhistas apoiarem as decisões do governo, o que está longe de ser certo. Tzipi Livni, dirigente do Kadima ("Avante") e líder da oposição, declarou que ela apoiaria o governo nas "questões significativas como a economia e a segurança", mas que não hesitaria em criticá-lo quando as decisões tomadas "forem de encontro ao bem da nação".

Benjamin Netanyahu havia jurado que nunca mais se apoiaria em uma margem apertada de maioria de votos, para evitar as decepções que ele começou a viver em 1996, durante seu primeiro exercício do poder. Ele ainda não se aliou oficialmente aos asquenazes do Partido Unificado da Torá (religioso), emaranhados em querelas internas, assim como à União Nacional, marcada demais por sua adesão às ideias racistas do rabino Kahane. Ele já teria dificuldades o bastante para conciliar os interesses divergentes do partido religioso sefardita Shass e aqueles do partido ultranacionalista Israel Beitenu ("Israel nossa casa), a favor do laicismo.

E o que dizer também das francas oposições entre os trabalhistas e os parlamentares do Lar Judeu, partido de colonos? Os pontos de fricção certamente vão aparecer nessa acoplagem um tanto bizarra, cujo maior reforço é constituído pelo partido de Avigdor Lieberman que se torna, de certa forma, o mestre do jogo. É por isso que este último obteve o cargo de ministro das Relações Exteriores, o que é "uma provocação para o mundo inteiro", como disse Yossi Beilin, ex-líder do Meretz (esquerda).

De qualquer forma, será preciso que esse imigrante moldávio esqueça suas frases ríspidas e sua hostilidade mostrada em relação ao que ele chama de "falta de lealdade" dos palestinos de Israel, se quiser ter uma chance de ser ouvido pelas chancelarias do mundo inteiro. Todavia, seu destino continua ligado aos resultados de uma investigação policial por fraude, abuso de confiança e lavagem de dinheiro. O Movimento por um Governo de Qualidade havia entrado com recurso na Corte Suprema para impedir sua nomeação, mas Menahem Mazuz, procurador-geral, o negou, esperando os resultados das investigações da polícia.

O que esperar desse governo? "O primeiro-ministro estará sempre preocupado em manter sua coalizão, em fazer infinitas promessas e rejeitar todas as reformas importantes para permanecer no poder", escreve Nehemia Shtrasler no jornal "Haaretz". Na terça-feira, dia da cerimônia de posse, manifestantes da ONG Paz Agora brandiam placas com os dizeres: "Nasceu um governo de colonos". Mas Shimon Peres, o chefe de Estado, tem certeza de que o novo poder vai trabalhar pela paz e já considera seu início "promissor".

Tradução: Lana Lim

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