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01/04/2009

Europeus se esforçam para apresentar uma frente unida diante de Obama

Le Monde
Philippe Ricard
Em Bruxelas
Um primeiro encontro com Barack Obama com ares de teste para sua coesão: os europeus se gabam de abordar a cúpula do G20 em formação militar, esperando ter influência junto ao novo presidente americano.

"Dentro da União Europeia existe um grau muito elevado de convergência, tanto sobre as questões de regulamentação como sobre as políticas macroeconômicas", explica ao "Le Monde" Joaquín Almunia, a dois dias da reunião de cúpula. Para o comissário encarregado das questões econômicas e monetárias, não se deve, sobretudo, "opor" retomada econômica e a regulamentação.

A prioridade das prioridades será, tanto em Bruxelas como em Paris, Londres e Berlim, evitar que o tão esperado encontro se transforme em terreno de confronto aberto com os Estados Unidos, uma vez que os países europeus do G20 encontrarão, um após o outro, o presidente americano em duas situações esta semana: durante a cúpula da Otan, em Estrasburgo-Kehl, dias 3 e 4 de abril, e depois na reunião dos 27 dirigentes europeus em Praga, no dia 5 de abril.

"Não queremos ter conflitos com o presidente Obama", diz um desses "sherpas" associados aos trabalhos preparatórios: "Isso não faria sentido, o mundo não precisa disso". As boas intenções e a unidade mostradas pelos europeus do G20 correm o risco, no entanto, de se sujeitarem a uma dura prova, tanto por razões de essência, como de forma.

O risco da dissonância europeia é real, uma vez que o Velho Continente está superrepresentado no G20: nada menos que seis países da UE participarão desse fórum informal - Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha e Países Baixos - , aos quais se juntam a Comissão e a presidência europeias.

A apenas alguns dias da reunião, os Vinte e Sete estão fragilizados pelas decepções da presidência em exercício da União Europeia: o governo tcheco de Mirek Topolanek acaba de ser derrubado por uma moção de censura, em Praga, e sua habilidade com as questões financeiras é fraca.

Pouco ouvida diante dos grandes países europeus, a República Tcheca é apoiada por uma Comissão Europeia também em fim de mandato. Resultado: os europeus mal conseguem impor sua agenda aos americanos. "A obamania joga contra os interesses ofensivos dos europeus; isso se aplica tanto ao G20, quanto ao Afeganistão ou ao clima", lamenta um alto diplomata, enquanto falam em Bruxelas sobre "o recente entusiasmo dos americanos em assumir a liderança da cúpula de Londres".

Em Washington, em novembro de 2008, Nicolas Sarkozy havia batido na tecla da regulamentação, diante de um George Bush quase em fim de mandato. Dessa vez, é a nova administração Obama que dá o tom, insistindo sobre os esforços da retomada econômica, enquanto os dirigentes europeus alegam ter feito o necessário para esse estágio.

Berlim, Londres ou Paris pretendem se unir em torno desse assunto, mas se percebem diferenças de abordagem: Angela Merkel recusa qualquer investimento complementar, ao passo que os britânicos, e até os franceses, querem agir novamente se as circunstâncias assim exigirem até o outono.

Os europeus também têm a maior dificuldade em convencer os EUA sobre a oportunidade de sustentar o comércio - que desmorona com a crise - por meio de uma retomada da Rodada de Doha dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC). O novo presidente e a maioria democrata no Congresso avançam discretamente nesse domínio.

A exemplo da França e da Alemanha, os europeus do G20 querem ser exemplares, afinal, em matéria de reforma das finanças mundiais. Mas lá também seu voluntarismo contrasta com a dificuldade que eles têm em manter sua agenda reguladora. "Nós vivemos um longo período onde o excesso de confiança na autorregulação produziu diversos desequilíbrios", observa Almunia, avaliando que os espíritos evoluíram muito nesse domínio, tanto nos EUA quanto na Europa.

Depois de ter hesitado, o Reino Unido agora está mais inclinado a seguir a Alemanha e a França. "A respeito dos paraísos fiscais, nada na Europa teria sido possível sem a pressão contra a Suíça vinda de...Washington", diz um especialista.

Adepta por muito tempo do "legislar menos", a Comissão Europeia pegou o touro pelos chifres tardiamente. Ela pretende fazer propostas em abril a respeito do controle dos fundos especulativos, do capital de investimento, e da remuneração dos dirigentes.

José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia, retomou, por conta própria, as recentes sugestões de um grupo de especialistas presidido pelo francês Jacques de Larosière. Trata-se especificamente de criar autoridades europeias encarregadas dos bancos, dos seguros e da Bolsa. Assuntos que provocaram, e ainda vão provocar, longas negociações entre os Vinte e Sete, bem além do encontro de Londres.

Tradução: Lana Lim

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