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03/04/2009

Fujimori clama sua inocência diante do tribunal no Peru

Le Monde
Chrystelle Barbier Em Lima
Visivelmente mais cansado que no início de seu processo, 15 meses atrás, Alberto Fujimori se levanta para o púlpito que lhe foi reservado na Suprema Corte de Justiça, que o julga por violações dos direitos humanos. O ex-chefe de Estado de 70 anos e saúde frágil - teve diagnosticados vários cânceres - dá um gole de água sob os flashes dos fotógrafos que se comprimem atrás do vidro que os separa dele.

Alberto Fujimori, presidente entre 1990 e 2000, sabe que sua intervenção nesta quarta-feira, 1º de abril, é muito esperada. Os promotores, os advogados da parte civil e da defesa terminaram suas exposições, ele tem duas audiências para se defender pessoalmente pela última vez antes que o tribunal dê seu veredicto. "Agora que o processo chega a seu termo, que cerca de 90 testemunhas e 500 documentos foram apresentados (...) ninguém pôde trazer uma única prova que me condene, e ninguém pôde fazê-lo porque simplesmente elas não existem", ele afirma. "Como eu disse desde o início, sou inocente", insiste.
  • Francisco Medina/Poder Judicial//EFE

    O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, inicia sua defesa no tribunal na última quarta-feira (dia 1º)



Fujimori está detido em Lima desde setembro de 2007, depois de sua extradição do Chile, onde apareceu para surpresa de todos dois anos antes. Ele havia passado os cinco anos anteriores no Japão. O ex-homem-forte do Peru, envolvido em numerosos escândalos políticos e financeiros, tinha fugido do país em 2000.

Hoje Fujimori é acusado de ser o "autor intelectual do assassinato de 25 pessoas, assim como do sequestro de um jornalista e um empresário no início dos anos 1990. O Peru era então aterrorizado pelas guerrilhas Sendero Luminoso (maoísta) e Movimento Revolucionário Tupac Amaru (marxista-leninista), de um lado, e de outro pela repressão militar. O ex-chefe de Estado está sujeito à pena a 30 anos de prisão.

O primeiro massacre incluído no processo remonta a novembro de 1991. Enquanto festejavam em um edifício de Barrios Altos, 15 moradores desse bairro pobre de Lima, entre os quais uma criança de 8 anos, foram mortos crivados de balas por um esquadrão da morte composto por militares, que suspeitavam que fossem terroristas.

Em julho de 1992 foram nove estudantes e um professor que desapareceram da universidade La Cantuta em Lima. Partes de seus corpos foram encontrados meses depois, calcinadas e enterradas em um terreno baldio: as dez vítimas tinham sido assassinadas pelo mesmo esquadrão, o Grupo Colina, criado para eliminar os militantes do Sendero Luminoso.

Mais de 17 anos depois dos fatos, a maioria dos "Colinas", como são chamados, foi condenada a penas de 15 a 25 anos de prisão. No entanto, para as famílias das vítimas, a justiça só será feita quando o presidente da época for condenado.

O promotor e os advogados da parte civil acusam Fujimori de ter tido conhecimento da existência do Grupo Colina e de ter autorizado essas execuções sumárias em nome da luta antiterrorista.

Durante o processo, eles tentaram demonstrar que Fujimori estava na chefia de um "aparelho do poder" que implantou duas estratégias de combate ao terrorismo: uma oficial e uma "guerra suja", da qual estava encarregado o Grupo Colina.

"Não houve uma política de pacificação única, sistemática e constante", respondeu Fujimori na quarta-feira. Ele negou ter criado uma organização criminosa em um discurso que lhe permitiu principalmente elogiar seu regime, que "a história acabará por reconhecer". "Eu sei que a maneira como conduzi meu mandato tem o apoio de uma grande maioria do povo", ele disse. "Um povo para o qual governei sem cansaço durante dez longos anos, nos quais eu pude lhe devolver a paz e relançar seu desenvolvimento, recuperar a estabilidade e a esperança e começar a inclusão dos setores mais pobres e esquecidos de nosso país."

O ex-chefe de Estado aproveitou essa tribuna para lançar oficialmente sua filha, a deputada Keiko Fujimori, como sua sucessora na chefia do movimento "fujimorista", para a eleição presidencial de 2011. A peroração final do ex-presidente rapidamente assumiu tons de discurso eleitoral, para grande desgosto das famílias das vítimas presentes na sala. "É repugnante ver novamente tanta manipulação política", denunciou a irmã de um dos estudantes assassinados, Gisela Ortiz. Na opinião dela, "os fujimoristas não aprenderam nada durante os últimos anos".

O julgamento deverá ocorrer nos próximos dias.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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