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04/04/2009

Air France-KLM torna-se a principal operadora entre a Europa e a América Latina

Le Monde
François Bostnavaron
Jean-Cyril Spinetta, presidente da Air France e da Air France-KLM, e Constantino de Oliveira Júnior, presidente da Gol (Gol-Varig), assinaram nesta sexta-feira (3), em São Paulo, um acordo de cooperação comercial.

A partir do segundo semestre, vai passar a valer um acordo de "code share" (compartilhamento de voos): a Air France vai adicionar seu código nos voos da Gol entre São Paulo e Rio de Janeiro e 13 grandes metrópoles brasileiras. Um acordo similar também está previsto com a KLM. Esse acordo também vai permitir aos 15 milhões de membros do Flying Blue, o programa de fidelidade da Air France e do programa Smiles da Gol, que acumulem milhas das três companhias, Air France, KLM e Gol-Varig.

O acordo assinado permite à Air France-KLM encontrar uma alavanca de desenvolvimento, não só brasileiro, mas também latino-americano; oficialmente, desde outubro de 2008 a Air France-KLM não tinha mais parceiro privilegiado na América do Sul. De fato, a maior companhia brasileira, TAM, parceira de longa data da Air France (desde 1999), se juntou à Star Alliance, aliança articulada em torno da Lufthansa.

Esse acordo bilateral Air France-KLM irá, aos poucos, reforçar ainda mais o market share da SkyTeam, a aliança articulada em torno da Air France-KLM, na América Latina, onde ela já ocupa o primeiro lugar com 27% da oferta de assentos, à frente da OneWorld (26%), aliança construída em torno da British Airways e Iberia, e daquela feita em torno da Lufthansa-Swiss, a Star Alliance, com 18%.

Um acordo em que todos saem ganhando

Como diz Jean-Cyril Spinetta, "este acordo não é uma reação conjuntural à crise, mas sim um acordo de longo prazo que contribuirá para reforçar nossa liderança na América Latina". No entanto, a chegada da Gol na SkyTeam não é necessariamente imediata: "é uma possibilidade, uma opção que não descartamos", explicou Oliveira, ressaltando que sua companhia já possui acordos de menor envergadura com outros membros da SkyTeam, como a americana Delta Airlines ou a coreana Korean Air.
Mas o presidente da Air France se mostra otimista para uma futura entrada da companhia brasileira na aliança SkyTeam.
Além do futuro acordo com a KLM, Spinetta deseja estender esse acordo à companhia italiana Alitalia: "estamos prontos para ir mais longe com a Gol, mas cabe a eles tomar a decisão".

Como disse Oliveira, "este acordo é um acordo em que todos saem ganhando": a Gol vai adquirir uma visibilidade internacional, ao mesmo tempo em que obtém os 140 mil passageiros anuais da Air France e da KLM, que prosseguem com seus voos para destinos brasileiros via São Paulo ou Rio de Janeiro.

Para o grupo franco-holandês, a vantagem é que a Gol não tem a intenção de invadir o território de seu novo parceiro desenvolvendo ligações transatlânticas. Então a companhia brasileira basicamente contribuirá na alimentação do sistema double-hub (as duas plataformas de conexões que são o aeroporto de Paris-CDG e de Amsterdã-Schiphol). Por exemplo, no voo Paris-São Paulo, segundo a média anual de 2008 da Air France, mais de 75% dos passageiros estão em conexão vindos da Ásia, do Oriente Médio, da África e do resto da Europa. O trunfo do double-hub, no transporte de passageiros, até agora permitiu à parceria franco-holandesa resistir melhor que as outras grandes companhias europeias e limitar a queda de seu tráfego.

Para o mês de fevereiro, os últimos números da Associação das Companhias Aéreas Europeias (AEA), indicam que o tráfego da Lufthansa caiu 9,9%, o da British Airways 8,3%, e o da Iberia 7,5%, ao passo que no mesmo período o da Air France-KLM só caiu 2,6%.

Tradução: Lana Lim

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