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14/04/2009

As casas-contêineres dos "esquecidos" do terremoto de 1997 na Itália

Le Monde
Salvatore Aloise Enviado especial a Giove (Úmbria, Itália)
O triciclo motorizado entra ruidosamente na vila dos contêineres, metade vazia nesta manhã de Páscoa. Marino volta de suas compras. Esse camponês, de 73 anos, vive em um dos contêineres instalados aqui em Giove, uma aldeia a cerca de 20 quilômetros de Assis, desde o terremoto que atingiu a região da Úmbria em 1997.

Na época, foi bom para ele e sua esposa. Depois de ter de abandonar, como tantos outros, sua casa danificada, e ter passado meses em uma barraca, Marino e sua mulher acharam ideal esse contêiner coberto por um teto que lhe dava um ar de cabana, enquanto esperavam poder voltar para casa. Até sua filha, junto com sua família, foi viver com eles.

Então, há três anos, sua mulher morreu e sua filha se mudou. Desde que passou a viver sozinho, Marino desanimou. "Se consertarem minha casa um dia, tudo bem, se não, adeus", ele diz, unindo o gesto à palavra. O velho senhor se tornou fatalista de viver nesse contêiner gelado no inverno, tórrido no verão. Com essa idade, não se acostuma a essa vida, todo esse tempo.

São sobretudo pessoas idosas como ele que permaneceram vivendo nessa estranha vila de lata. "Aquelas que ainda vivem, pois 25 pessoas morreram aqui enquanto esperavam poder voltar para suas casas", explica Valentina Armillei, jovem diretora de um comitê criado para dar apoio a esses "esquecidos do terremoto".

As casas que eles tiveram de deixar estão a menos de um quilômetro em linha reta dos contêineres. Eles olharam para elas todos os dias, enquanto a reconstrução se afundava na burocracia. Na Úmbria, foi decidido que a realização das obras seria confiada aos próprios habitantes, por meio de um consórcio e com a ajuda do Estado.

A abordagem se revelou bastante válida. Mas não em Giove. Na vila, como explica o prefeito Giuseppe Mariucci, "eles não tiveram sorte, pois caíram com uma empresa inadequada que acabou falindo antes de completar um terço das obras". Há dois anos a comuna retomou as rédeas e o prefeito garante que tudo será terminado até o final do verão.

Marino continua cético. Com os olhos pregados na televisão, ele é absorvido pelas imagens do terremoto em Abruzzo. Elas o fazem reviver sua própria experiência, mas também as promessas não cumpridas. Sua sobrinha Antonella, a única que ainda o visita, lembra: "Também nos disseram que tudo seria feito rapidamente. Belas palavras, na época! Olhe onde estamos, doze anos depois". E com os sem-teto de Abruzzo, é possível que se lembrem ainda menos dos "esquecidos do terremoto" de Giove.

Tradução: Lana Lim

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