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16/04/2009

Chegada do Wi-Fi muda vida de favela do Rio

Le Monde
Annie Gasnier Enviada especial ao Rio de Janeiro
"Logo, nossos filhos sairão para se divertir com uma bola no pé, ou um computador portátil debaixo do braço", garante com um sorriso José Mario dos Santos. Presidente da Associação de Moradores da Favela Santa Marta, ele comemora a inovação que valoriza sua "comunidade": o Wi-Fi, a conexão de internet sem fio banda larga, gratuito.

Colada no morro do Cristo Redentor, essa favela do bairro residencial de Botafogo é a primeira do Rio de Janeiro a receber esse serviço, que custou € 170 mil (R$ 490 mil) às autoridades locais. Do teto da associação, Santos aponta para as 16 antenas de retransmissão Wi-Fi instaladas na encosta. Ainda há "zonas de sombra", mas logo se poderá navegar pela internet em todos os barracos.

Dos 1.690 domicílios listados, 1.600 se declaram possuidores de um computador, mas nem metade deles está conectado, por cabo, a um provedor pago de banda larga. "É incrível, o Santa Marta está se tornando uma comunidade moderna", acredita Ana Marta Paulinha, uma empregada doméstica de seus cinquenta anos, desempregada, que adora checar seus e-mails e se comunicar com parentes e amigos por meio do site Orkut.

Na escuridão de um ônibus transformado em sala de aula, diante de uma tela plana, Conceição Castro de Souza calcula com esforço o orçamento da reforma de sua casa, em uma tabela do programa Excel. "É difícil, mas vou sair daqui sabendo usar o computador da minha filha", promete essa mulher de 54 anos, que faz "doces e salgados" e sonha em "vendê-los pela internet".

"Integração social"
Ao pé da favela, o ônibus do Centro de Cidadania do Estado do Rio de Janeiro recebe cerca de cem estudantes de todas as idades, quatro horas por dia durante três meses, auxiliados pelo professor Eliton de Oliveira. "Eles vêm para melhorar sua renda, e esse curso os prepara para o mercado de trabalho", explica esse jovem de ótima didática. "Mas eles saem daqui diferentes, pois ainda descobrem a educação, a inteligência, a cultura".

Aos 18 anos, Eunice da Silva nunca havia encostado em um teclado. "É maravilhoso o que se descobre na tela", ela conta. "Pude assistir a um desfile de moda em Paris". Redação de currículos, e-mails, sites de relacionamentos, mecanismos de busca: a internet não tem mais segredos para esses alunos extremamente motivados, que falam em "bênção".

O governador Sérgio Cabral disse no dia da inauguração: "O Wi-Fi não representa somente a inclusão numérica, é também a integração social para os 10 mil habitantes do Santa Marta". Essa comunidade vive um novo cotidiano, desde o dia de novembro de 2008 em que a polícia afirmou ter "libertado" a favela do narcotráfico. E as autoridades multiplicam os programas sociais, para provar que a presença do Estado compensa a ausência dos traficantes.

Tradução: Lana Lim

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